1.6.08

Comissões aos angariadores de grandes jogadores criam instabilidade no mercado
O factor "junket"

O aumento das receitas de jogo em Macau está relacionado com a abertura do sector a empresas estrangeiras e às operações dos angariadores de grandes jogadores, mas as comissões pagas pelos operadores estão a criar instabilidade no mercado.
Denominados por operadores "junket", as empresas registadas como angariadoras de jogadores são as mais beneficiadas pelo aumento das receitas já que recebem comissões cada vez mais elevadas, pagas por operadores que precisam de cativar jogadores para as suas salas que lhes permitam recuperar os grandes investimentos feitos nos últimos anos.
Mas a luta pela conquista de mais jogadores faz-se aumentando as comissões, diminuindo assim a margem dos operadores o que começam a fazer contas aos investimentos.
Antes da liberalização do sector, o magnata Stanley Ho pagava uma comissão de cerca de 0,8 por cento sobre as apostas dos grandes jogadores, mas a abertura do mercado, de facto, em 2004 com a abertura do primeiro casino fora do universo Stanley Ho, veio complicar as contas, ou seja, fez aumentar as comissões pagas e hoje a generalidade dos operadores paga aos "junket" 1,35 por cento sobre as apostas.
Se percentualmente as comissões podem parecer pequenas perante os números do jogo em Macau, na realidade traduzem representam montantes elevados já que incidem sobre o montante apostado e não sobre os lucros dos casinos, ou receitas brutas como são chamadas.
Um operador de jogo tem, nas mesas de grandes jogadores, um lucro variável entre 2,7 e 03 por cento por cada 100 patacas (oito euros) apostadas constituindo assim a receita bruta que na globalidade dos casinos de Macau atingiu em 2007 os 83.022 milhões de patacas ou cerca de 6.642 milhões de euros.
Os impostos de cerca de 40 por cento pagos ao Governo são calculados sobre a receita bruta, mas as comissões pagas aos "junket" são apuradas mediante as apostas, multiplicando assim o peso das comissões na receita bruta.
Tendo em consideração o intervalo máximo, ou um lucro de três por cento, um operador paga 1,2 patacas ou cerca de 40 por cento da receita bruta ao Governo em impostos directos e indirectos e 1,35 patacas ou 45 por cento da receita bruta ao "junket".
Neste quadro, os operadores ficam com uma margem mínima de 15 por cento ou cerca de 0,45 patacas por cada três patacas arrecadadas em receitas brutas, um valor muito inferior em comparação com o cenário anterior, quando as comissões eram de 0,8 por cento.
Nesse caso teríamos então, na mesma análise de lucro máximo, a comissão dos "junket" reduzida a 26,6 por cento (0,8 patacas), as receitas dos operadores em 33,4 por cento e os impostos do Governo em cerca de 40 por cento.
Preocupado com a "guerra" entre operadores para atrair jogadores contra comissões mais elevadas, o Executivo quer forçar um entendimento que não ponha em causa os benefícios para Macau.
A manter-se a escalada das comissões algumas empresas podem estar em risco, tornando-se economicamente inviável manter a subida.
Entre os operadores existe um princípio de entendimento que coloca as comissões num máximo de 1,25 por cento ou 41,6 por cento das receitas brutas das salas VIP, cujo peso nas receitas globais do jogo foi em 2007 de 67,16 por cento do apurado nos casinos e 66,50 por cento do total do sector.
Mesmo assumindo o risco dos empréstimos aos jogadores, os operadores "junket" arrecadam muitos milhões nas suas operações em Macau e só isso poderá justificar a existência de quase 200 companhias a trabalhar no ramo, entre empresas e empresários individuais.

Agência Lusa

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