5.6.08

Estádio do Canídromo acolhe este sábado torneio de râguebi Macau 10’s
À conquista da Ásia

A nona edição da mais importante competição anual de râguebi da RAEM realiza-se este sábado. Macau apresenta pela primeira vez duas equipas – que até poderão ainda vir a ser três - e a selecção da casa é favorita numa competição que traz à RAEM oito formações de Hong Kong e da China Continental

Alfredo Vaz

O relvado do Estádio do Canídromo é palco no Sábado à tarde da nona edição do mais antigo torneio de râguebi de Macau. O Macau 10’s (em que cada equipa é constituída por dez jogadores, como o próprio nome indica) é a quarta e última etapa do calendário regional da selecção local nesta versão de râguebi. Nas três provas que disputou desde Março, Macau ganhou duas e chegou aos quartos-de-final na outra: vitórias nos Kowloon e Shekou 10’s (ambos em Março, em Hong Kong), e segunda fase da Taça Plate no Manila 10’s, realizado na capital das Filipinas no início de Abril.
Agora, em casa, o seleccionado da RAEM procura a terceira vitória da época de 2008 em râguebi de dez, que a acontecer seria também a terceira nas nove edições do Macau 10’s. E a selecção de Macau pode mesmo ser considerada a favorita, uma vez que o principal adversário – pelo menos no papel – os campeões Taipé Baboons - equipa de expatriados residentes na capital de Taiwan – cancelaram à última hora a participação na prova local por ‘razões logísticas’.
Ricardo Pina, capitão da selecção de Macau, admitiu isso mesmo ao PONTO FINAL: “Não vindo os Taipé Baboons talvez sejamos os favoritos. Somos – eventualmente – a equipa que está mais bem preparada, até porque a grande maioria dos nossos adversários já está em fim de época. No entanto não colocamos a fasquia muito alta, com a certeza porém que queremos fazer um bom torneio, até porque somos os anfitriões.”
A principal novidade da edição deste ano é o facto de Macau apresentar mais do que uma equipa. À selecção junta-se como representante da casa a formação do Monkey Bar, uma equipa composta essencialmente por representantes da nova comunidade expatriada fixada na RAEM. E estas são as equipas já confirmadas, abrindo-se mesmo uma possibilidade para Macau estar representado por três formações. A terceira poderá ser a selecção, equipa ‘B’. A participação está dependente da inscrição de mais uma equipa de Hong Kong que ainda não confirmou a sua presença. Se a vinda se concretizar – e por uma questão de emparelhamento das equipas em números pares - “então Macau avança com a sua equipa ‘B’, “felizmente agora temos jogadores suficientes para fazer duas equipas”, confirmou Ricardo Pina ao PONTO FINAL. Até ao momento estão confirmadas dez equipas (incluindo a selecção principal e o Monkey Bar), mas o número total poderá ser de doze.
A equipa da casa já venceu por duas vezes este torneio que começou em 1998 e que tem este ano a sua nona edição. Em circunstâncias ‘normais’ este seria o ano do décimo aniversário da competição, mas a prova não se realizou em 2004 devido ao surto de pneumonia atípica que afectou a região.
Os jogos decorrem sábado no relvado do Estádio do Canídromo, na Ilha Verde, a partir das 12:00.

‘Jogo do ano’ à porta

Apesar de Macau ter pergaminhos na versão de 10’s, a modalidade de eleição dos praticantes de râguebi é a vertente de 15, a convencional. Historicamente limitada pela falta de jogadores, Macau conta apenas com três internacionalizações em jogos de 15. A quarta vai acontecer já na próxima semana, em Jacarta, contra a Indonésia. Para Ricardo Pina, o confronto com a Indonésia “é o jogo mais importante do ano. Temos treinado bastante, porque estamos em preparação não só para este torneio como para o embate contra a selecção da Indonésia de 15. Essa sim será a nossa principal aposta de fim de época, por ser um jogo internacional em que estamos a representar Macau no exterior, e porque para alguns de nós é uma rara oportunidade – para outros uma oportunidade única, mesmo – de inscrever no currículo uma internacionalização em jogos sancionados pelo International Rugby Board (IRB)”, o órgão máximo da modalidade a nível mundial.
No quarto embate internacional o adversário volta então a ser a Indonésia, com quem Macau jogou e venceu por 22-10 no seu terceiro internacional, em 2006, em Jacarta. Aliás, este segundo embate consecutivo entre as duas selecções está a ser encarado por ambas as equipas como uma espécie de desforra - uma segunda mão - e chegou a estar agendado se realizar na RAEM. Teve no entanto que ser cancelado “devido ao eterno problema da falta de campos, uma situação recorrente que tem reflexos também nos nossos treinos”, lamentou em declarações ao PONTO FINAL o capitão da selecção de Macau.
A estreia de Macau em jogos sancionados pelo IRB aconteceu em 2004, em Hong Kong, e o adversário foi o Paquistão: vitória esmagadora do seleccionado da RAEM por 55-0. Depois de ‘baptizada’ pelos paquistaneses, Macau foi ela própria ‘madrinha de baptismo’ do Cambodja, numa partida igualmente realizada em Hong Kong, em 2005: nova vitória por números concludentes, 47-7.
Agora, ao jogar de novo contra a Indonésia, Macau procura manter a invencibilidade em partidas oficiais. Se o conseguir continuará a manter o seu nome num lugar de destaque no panorama internacional, aos olhos do mundo da modalidade. É que o território merece o reconhecimento e a distinção internacionais de ser uma de três selecções no mundo a contarem apenas por vitórias os jogos internacionais que disputou. O nome de Macau aparece em destaque numa das páginas oficiais associadas ao IRB, em http://www.rugbydata.com/records Macau aparece ao lado da Mauritânia e do Chipre no capítulo das equipas com maior percentagem de vitórias nos jogos efectuados, neste caso 100 por cento.

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