Acabou fase de apuramento da Challenge Cup
Macau derrotado pelo Cambodja (3-1)
não foi o habitual “bombo da festa”
A selecção da RAEM voltou a perder na Taça Challenge, mas marcou mais um golo. O desafio diante dos cambojanos serviu apenas para cumprir calendário, uma vez que o Nepal tinha garantido o apuramento. Médio veterano Che Chi Man foi o autor do único tento macaense
Vítor Rebelo
Rebelo20@macau.ctm.net
Macau derrotado pelo Cambodja (3-1)
não foi o habitual “bombo da festa”
A selecção da RAEM voltou a perder na Taça Challenge, mas marcou mais um golo. O desafio diante dos cambojanos serviu apenas para cumprir calendário, uma vez que o Nepal tinha garantido o apuramento. Médio veterano Che Chi Man foi o autor do único tento macaense
Vítor Rebelo
Rebelo20@macau.ctm.net
Esta era a competição ideal para Macau mostrar o momento actual em termos de qualidade asiática do seu futebol. Defrontou países de “igual plano”, ou seja, do fundo da tabela no ranking da região.
Estavam agendados três encontros para a equipa da RAEM, no Grupo D da Taça Challenge, mas apenas se efectuaram dois, dada a desistência, em cima da hora, da Palestina por motivos políticos.
O torneio foi um dos quatro organizados pela Federação Asiática de Futebol e destinado a selecções de “II Divisão” do continente, habitualmente sem ambições nas provas internacionais de maior prestígio, como são o Campeonato da Ásia e as eliminatórias do Mundial.
Macau surgiu no Cambodja sem grandes novidades nos seleccionados, mas com a estreia do treinador Leung Sui Wing, apostado em “mostrar serviço” e iniciar uma nova era na selecção macaense.
E pode dizer-se que, pelo menos, Macau não deixou nada má imagem, apesar das duas derrotas verificadas.
Equipas sem ambições
em jogo equilibrado
em jogo equilibrado
Ontem à tarde, em mais um desafio efectuado no Estádio Nacional de Phnom Penh, a equipa do território tentava defender a “honra do convento”, após desaire tangencial face ao favorito Nepal (3-2), numa partida em que tinha dado uma excelente imagem e até discutiu o resultado.
O Cambodja partia com o mesmo objectivo, já que tinha sido derrotado, dois dias antes, pelo mesmo Nepal. Foi, assim, um jogo para cumprir calendário e para decisão do segundo classificado da série.
Esperava-se, por isso, um encontro equilibrado, entre duas selecções que ocupam as derradeiras posições do ranking asiático. Mas Macau sempre em desvantagem pela “modéstia do seu passado”.
Não houve surpresa, como já aqui tínhamos previsto, com triunfo dos cambojanos, a actuarem diante do seu público, por 3-1.
O Cambodja quis provar que era candidato ao primeiro lugar do grupo e que a derrota com o Nepal fora apenas um acidente (1-0).
Na verdade, a formação da casa, treinada pelo sul-coreano Yoo Kee Heung, mostrou um futebol de ataque e desde os primeiros minutos se lançou na busca de uma vitória que não foi fácil, porque Macau se bateu bem, embora tenha estado menos concentrada, em termos atacantes, do que no encontro diante dos nepaleses. Os erros cometidos também se pagaram e nos pormenores o Cambodja foi superior, para além de ter sido a equipa que mais ocasiões de golo fabricou.
Macau reagiu bem
na segunda parte
na segunda parte
À passagem da meia hora, o Cambodja apontou o seu primeiro golo, através de Nuth Sinoun, resultado que se iria manter até ao final dos primeiros quarenta e cinco minutos.
No período complementar, o técnico de Hong Kong ao serviço de Macau, mandar avançar a equipa, mandou-a arriscar e foi um homem do meio campo, dos que mais apoiou o ponta-de-lança Chan Kin Seng, que chegou à igualdade.
Che Chi Man, um veterano do Lam Pak, gelou o estádio de Phnom Penh aos 65 minutos, dando um cariz mais emocionante a um jogo que não tinha qualquer interesse no que diz respeito à qualificação.
Mast al como acontecera no confronto com o Nepal, Macau “deslumbrou-se” e não conseguiu aguentar a motivação do golo por mais do que dois minutos. O Cambodja marcou aos 67 pelo centro-campista Chan Rithy.
A partir daí foi tudo mais complicado, com a RAEM a apostar claramente no ataque, mas agora sem a frescura física anterior e a provocar grandes desequilibrios no seu sector recuado. Isso provocou o terceiro golo, mas apenas no período de compensações, apontado por Nuth Simoun, sem dúvida um dos melhores executantes da selecção do Cambodja.
Campanha razoável
sem goleadas
sem goleadas
A equipa de Macau regressa hoje a casa com duas derrotas, mas com algum optimismo em termos de futuro. Afinal, perder por números reduzidos, mesmo tratando-se de adversários do seu nível, já se pode considerar uma razoável campanha.
Temos de ser realistas, qualquer saída da selecção macaense a provas fora de provas terá de ser encarada com reduzidas ambições e quase sempre com o objetivo de “perder por poucos”. Foi o que aconteceu no Cambodja.
Já se notou alguma mnelhoria em campo, com maior equilibrio entre os sectores. Não foi apenas defender. Houve a intenção de arriscar mais lá na frente, fruto da aposta do novo treinador Leung Sui Wing.
Mas, claro ainda é muito pouco e Macau continua a perder praticamente com toda a gente.
Motivos profissionais
desfalcam selecção
desfalcam selecção
Mais uma vez a selecção da RAEM teve problemas para assegurar a deslocação de jogadores, em virtude da recusa de “alguns patrões” em dispensar funcionários, quando se sabe que, na esmagadoria maioria dos países ou territórios por todo o mundo, uma selecção nacional nunca é condicionada pelo facto dos jogadores não receberem dispensa dos seus empregos.
Os respectivos governos encarregam-se disso e há até leis que obrigam à dispensa dos elementos que integram uma selecção nacional, seja em que modalidade for. Em Macau esta questão já é antiga e complica as saídas das selecções.
Francisco Rosário e Geofredo Sousa foram os grandes ausentes da equipa, dois elementos que poderiam ter sido importantes para manter a estabilidade da equipa, principalmente nos momentos seguintes aos golos apontados.
Nepal é o último
a garantir acesso
a garantir acesso
Caiu assim o pano da fase de apuramento da Taça Challenge, que teve quatro grupos de apuramento, apenas com o primeiro classificado a seguir em frente para a fase final, a realizar entre 30 de Julho e 10 de Agosto deste ano, na cidade Indiana de Hyderabad.
Na discussão do título da edição de 2008 (a Taça Challenge realiza-se de dois em dois anos), vão estar, para além do país organizador (India) e das selecções que não necessitaram de se sujeitar às qualificações, por causa do seu melhor ranking (Myanmar, Turquemenistão e Coreia do Norte), as formações de Nepal, Tadjiquistão (vencedora em 2006), Sri Lanka e Afeganistão.
Recorde-se que esta Taça Challenge qualifica os seus vencedores para a fase final do Campeonato da Ásia de Futebol. O Tadjiquistão esteve assim na prova do ano passado, que se realizou em três países, Tailândia, Indonésia e Malásia, com transmissão de todos os desafios por parte da TDM.
Os campeões da Challenge de 2008 e 2010, irão por isso estar presentes no Asiático de 2011 a disputar no Qatar.