China recebe visita histórica do líder do partido que governa Taiwan
Dois rivais acertam
cooperação económica
Dois rivais acertam
cooperação económica
O líder do partido que governa Taiwan chegou ontem à China, numa visita que tem como objectivo promover a cooperação económica entre rivais e que inclui um encontro com o Presidente chinês, informou a imprensa estatal chinesa.
O presidente do Kuomintang (KMT), Wu Poh-hsiung, chegou ontem a Nanjing (no leste da China) e o encontro previsto entre Wu e o presidente da China, Hu Jintao, é o primeiro entre chefes do KMT e do Partido Comunista da China (PCC) em mais de 60 anos de hostilidades.
"Esperamos que graças aos nossos esforços incessantes, possamos deixar de lado as divergências, trabalhar com base nos interesses comuns e criar uma situação benéfica para todos", declarou Wu durante uma cerimónia de recepção.
O encontro bilateral acontece menos de uma semana depois de o novo Presidente de Taiwan, Ma Ying-yeu, ter assumido o cargo, abrindo a possibilidade de retomar o diálogo entre Taiwan e a China.
Entre os temas principais desta visita está a reabertura dos voos directos entre a China e Taiwan, que implica a chegada diária de cerca de 1.000 a 3.000 turistas chineses à ilha, confirmou Wu.
O momento mais importante da visita de Wu será a reunião com o chefe de Estado e líder do Partido Comunista Chinês, Hu Jintao, hoje, em Pequim.
Depois de Pequim, Wu segue para Xangai, centro económico-financeiro da China, onde vivem dezenas de milhares de empresários de Taiwan.
Apesar da rivalidade de longa data, a China tornou-se no primeiro mercado exportador de Taiwan e no seu maior parceiro comercial, com o comércio bilateral no estreito a alcançar 102 mil milhões de dólares no ano passado (cerca de 65 mil milhões de euros).
Wu está na China com uma delegação de 16 membros do partido que assumiu o poder em Taiwan depois de derrotar os separatistas nas eleições legislativas de Janeiro e nas presidenciais de Março.
O recém-eleito Presidente de Taiwan expressou a vontade de fomentar uma cooperação económica com a China, acabando com 60 anos de rivalidade, uma abordagem que contrasta com a posição do anterior Presidente Chen Shui-bian que, durante os oito anos que esteve no poder, desafiou Pequim com a sua intenção de declarar a independência formal de Taiwan.
Mas Ma também deixou claro que não pretende discutir com Pequim o controverso tema da soberania da ilha, uma disputa que envolve Pequim e Taipé desde 1949.
Na sequência de uma guerra civil sangrenta que dividiu nacionalistas e comunistas chineses, as forças nacionalistas derrotadas refugiaram-se em Taiwan, em 1949, uma ilha separada da China continental por um estreito de 160 quilómetros.
Pequim exige a unificação com o governo autónomo da ilha e já ameaçou várias vezes tomar a ilha pela força perante uma declaração formal de independência.
A maioria dos habitantes de Taiwan rejeita a unificação por temer que essa solução política os faça perder as suas liberdades e comprometa a prosperidade económica da ilha.