Apresentado esboço do Planeamento Geral Urbanístico de Macau
“Uma estratégia certa para
enfrentar um futuro incerto”
Macau precisa de pelo menos 30 a 40 anos para “completar grandiosas mudanças e continuar a prosperar”, concluiu o grupo de trabalho a quem o Executivo encomendou um relatório conceptual sobre o planeamento geral urbanístico para a RAEM. Ao cabo de dezoito meses o grupo elaborou um relatório que contém uma série de conceitos mas que apresenta poucas soluções
Alfredo Vaz
“Uma estratégia certa para
enfrentar um futuro incerto”
Macau precisa de pelo menos 30 a 40 anos para “completar grandiosas mudanças e continuar a prosperar”, concluiu o grupo de trabalho a quem o Executivo encomendou um relatório conceptual sobre o planeamento geral urbanístico para a RAEM. Ao cabo de dezoito meses o grupo elaborou um relatório que contém uma série de conceitos mas que apresenta poucas soluções
Alfredo Vaz
‘Conceitos macro’, ‘desenvolvimento sustentado’, ‘estratégias de viabilidade’, ‘ser humano no centro as atenções’, ‘coexistência entre crescimento económico e bem estar da população’. Alguns dos princípios e conceitos que o grupo de trabalho do Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Sustentável (CEEDS) definiu para poder vir a traçar o Planeamento Geral Urbanístico de Macau encomendado ao CEEDS pelo Chefe do Executivo nas Linhas de Acção Governativa para 2007.
Como referiu André Lui, arquitecto coordenador do grupo de trabalho esta é a primeira vez que em Macau se faz um plano por concepção, e o princípio norteador foi o de que “a população está no centro das nossas preocupações, pomos o ser humano à frente.”
As dificuldades em construir uma série de normas e princípios resumem-se na declaração de Chen Weixin, membro do grupo de trabalho: “à primeira vista pode parecer que há conflitos de interesses entre manter um desenvolvimento sustentado da economia e manter a qualidade de vida da população. Neste planeamento procuramos alcançar meios para a coexistência de todos os sectores. O sector do jogo é uma realidade que não podemos ignorar, que temos a qual temos que conviver. O desenvolvimento de Macau tem que ser integrado, entre casinos e outros sectores e actividades. As pessoas têm que se ajustar à nova realidade, alterar o sua forma de pensar, os seus modos de vida. O desenvolvimento visa obter um equilíbrio.”
Por isso o grupo entende que é preciso criar um ambiente com diversidade, e que além do jogo há que desenvolver outros sectores uma vez que património, população e desenvolvimento económico estão intrinsecamente ligados. Segundo o coordenador do grupo, “Macau tem que manter características de singularidade, uma visão virada para o desenvolvimento integrado na região onde está inserida.” André Lui disse por mais de uma vez em conferência de imprensa que este é apenas o primeiro passo num longo caminho a percorrer: “Apresentamos uma visão ‘macro’ para prosseguir algumas estratégias. Macau tem que reunir condições para diversificar outros sectores para alem da indústria do jogo. Segmentos como os das indústrias das feiras e convenções, fala-se muito na indústria da cultura. Este é um primeiro passo. Pretendemos ouvir mais opiniões, estamos abertos a ouvir opiniões de todos os sectores.”
“Destruir uma montanha
não resolve os problemas”
não resolve os problemas”
A resposta de Chen Wixin à pergunta sobre se a construção de novos aterros é a principal solução para fazer face ao eterno problema da limitação de espaço físico natural da RAEM. Este representante do grupo de trabalho diz que a questão dos novos aterros terá de ser sempre colocada e orientada segundos princípios científicos, embora não tenha mencionado quais. Chen reconheceu que uma das soluções passa pela Ilha da Montanha, que poderá vir a constituir parte importante do futuro desenvolvimento de Macau ao funcionar como parte importante da plataforma de desenvolvimento do sector terciário num modelo integrado inter-regional.
No sumário das intenções do grupo de trabalho apresentado à imprensa pode ler-se que Macau ainda precisa de 30 a 40 anos para “completar grandiosas mudanças e continuar a prosperar, não esquecendo o desenvolvimento sustentável e o melhoramento das condições de vida da população (...) Com a entrada do novo século, o desenvolvimento da indústria do entretenimento e do jogo injectou imenso vigor e trouxe imensa energia a Macau. No entanto, causou também grande concussão.”
No mesmo documento lê-se que o objectivo do Planeamento Geral Urbanístico para Macau passa por “ recombinar os recursos para a cidade, instituir uma nova estratégia económica, expandir o novo espaço para o desenvolvimento urbano, melhorar o meio-ambiente da cidade, proteger e promover de forma eficaz a cultura e a história de Macau (...) Uma cidade que deseja prosperar de forma contínua necessita da estratégia certa para enfrentar o futuro incerto”, lê-se no mesmo sumário.
Em jeito de conclusão, o documento resume o que se pretende com a definição de planeamento urbanístico: “Que Macau seja uma cidade turística, uma cidade de multi-desenvolvimento, uma cidade de vigor mundial com a indústria do jogo como meio principal, delicadeza como orientação, a prosperidade contínua com características de abertura e acolhimento.”
Anunciado pelo Chefe do Executivo nas linhas de acção governativa para 2007 o estudo preliminar sobre o futuro plano urbanístico de Macau foi encomendado pelo executivo ao Centro de Estudos Estratégicos para o desenvolvimento sustentável. O organismo iniciou os trabalhos em Janeiro de 2007 e reuniu ontem com representantes de onze departamentos da administração pública. Daqui a duas semanas o grupo de trabalho realiza mais uma reunião para recolha de opiniões, desta feita com representantes do sector privado. Em Julho arranca a fase de auscultação da população.