29.5.08

Enterovírus - 267 casos confirmados em Macau
Uma doença mais comum nas crianças

A doença de mãos, pés e boca provocada pelos enterovírus humanos é uma doença aguda frequente que pode atingir pessoas de qualquer idade, embora seja detectada com mais frequência em crianças, segundo fontes médicas contactadas pela Agência Lusa.
”É desde logo uma doença que ocorre durante todo a ano e em todo o mundo, mas nos climas temperados verificam-se mais infecções no Verão e Outono”, explicaram médicos contactados em Macau.
De acordo com as mesmas fontes, dos enterovírus, o que mais frequentemente se identifica nos doentes e o coxsackievirus A16.
No entanto, existem vários outros tipos de enterovírus como o 71 (EV71), considerado o mais grave.
Apesar de comum em Macau, este ano a doença ganhou maior atenção das famílias devido a, pelo menos, 42 mortes ocorridas no continente chinês, onde as estatísticas conhecidas apontam também para cerca de 25.000 pessoas infectadas.
As fontes contactadas pela Lusa indicam, contudo, que os enterovírus podem afectar qualquer pessoa e de qualquer idade, mas é nas crianças com menos de um ano que são registadas as maiores taxas de infecção.
Por razões não conhecidas, os rapazes estão mais expostos à doença do que as raparigas, numa percentagem superior a 50 por cento.
A transmissão do vírus ocorre de pessoa para pessoa por via feco-oral geralmente durante o manuseamento das fraldas de crianças infectadas e por contacto directo com secreções do nariz e garganta, saliva e líquido das lesões vesiculares.
Quando as condições sanitárias são insuficientes, a transmissão pode ocorrer de forma indirecta através de água contaminada, alimentos e fomites.
A doença das mãos, pés e boca manifesta-se por febre, vesículas na mucosa oral e língua e lesões nas mãos e pés.
Tem geralmente uma forma ligeira e quase todos os doentes recuperam num prazo de sete a dez dias sem tratamento específico. As complicações associadas ao coxackievírus são pouco comuns e só raramente surgem casos de meningite viral, em que o doente desenvolve febre, dores de cabeça e rigidez da nuca.
A infecção por EV 71 pode também causar meningite viral e, raramente, quadros mais graves como encefalite ou paralisia semelhante a poliomielite. A encefalite por EV 71 pode ser fatal e os registos mais recentes aconteceram durante epidemias na Malásia em 1997, em Taiwan em 1998 e, este ano, no continente chinês.
Não existe uma vacina ou tratamento específico para a doença.
O contacto directo nas escolas, a partilha de brinquedos e outros objectos e espaços, o contacto entre irmãos ou até a presença em espaços públicos onde existe um portador de enterovírus podem contribuir para a disseminação da doença, sendo por isso necessário reforçar as medidas de higiene e limpeza.
A prevenção é essencial e medidas tão simples como a lavagem das mãos são imprescindíveis para evitar que o vírus se espalhe.
"O reforço da limpeza e da higiene pessoal e evitar os contactos directos são a melhor via de combate à doença", acrescentaram ainda as fontes contactadas pela Lusa.
Até ontem, tinham sido registados em Macau um total de 273 casos de infecção por enterovírus, incluindo 7 casos no Jardim de Infância “D. José da Costa Nunes, sendo que o último foi detectado ontem à tarde. Na Escola Portuguesa foram detectados 2 casos.
Ontem, os Serviços de Saúde receberam a participação de mais 7 casos de enterovírus Confirmaram-se mais dois novos casos de infecção pelo EV71 de crianças doentes que ultimamente estiveram hospitalizadas no Hospital Kiang Wu e que frequentam o Jardim de Infância Luso-Chinês “Peónia” e a Escola Hou Kong (Pré-Primária). Os Serviços de Saúde não têm informações da ocorrência de outros casos nestas duas escolas. Até à presente data, não se registaram casos graves ou casos com complicações.
Actualmente, continua internada no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) uma criança de 3 anos de idade com herpangina, que não é um caso de infecção pelo EV71, sendo o seu estado estável. No Hospital Kiang Wu, um bebé de 20 meses de idade e uma criança de cinco anos de idade com doença de mãos, pés e boca encontram-se hospitalizados, sendo o seu estado estável, aguardando-se ainda os resultados da análise laboratorial das amostras. Não há doentes internados por infecção de enterovírus, no Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia.
O último caso colectivo aconteceu na Creche Fai Chi Kei, com três crianças doentes da mesma turma. Dos casos colectivos já divulgados, ocorreu mais um novo caso de uma criança infectada no Jardim de Infância “D. José da Costa Nunes”, registando-se, até ao momento, 7 casos, e não ocorreram novos casos na Creche Pio XII, na Travessa do Colégio, no Jardim de Infância da Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung, na Escola Keang Peng, na Rua Francisco Xavier Pereira, nem na Creche Fai Chi Kei, na Avenida Horta e Costa.

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