Excepções abertas para pais cujas crianças fora vítimas do terramoto
Pequim flexibiliza política
do filho único após sismo
Pequim flexibiliza política
do filho único após sismo
As famílias que perderam o único filho no devastador sismo de Sichuan vão ter a possibilidade de adoptar outra criança segundo as últimas directivas do governo chinês para a política do filho único, noticiou ontem a imprensa estatal.
Os casais cujo único filho morreu, ficou gravemente ferido ou fisicamente incapacitado no sismo de Sichuan podem obter um certificado que lhes permite ter mais um filho, informou o Comité da População e de Planeamento Familiar de Chengdu, que tutela a política na capital da província de Sichuan, a mais atingida pelo sismo de 12 de Maio.
As novas directrizes não alteram a controversa política chinesa do filho único - que geralmente permite às famílias urbanas terem um filho e autoriza as famílias rurais a terem dois filhos se o primogénito for uma rapariga - mas especifica a regulamentação existente, esclareceu o Comité.
Segundo o jornal oficial China Daily, muitas famílias desoladas e confusas colocaram questões relativas à política familiar e o Comité de Chengdu resolveu clarificar as adaptações do governo nesta matéria, disse um funcionário.
"Há muitos casos assim, por isso precisamos de esclarecer a nossa política", referiu, sem mais pormenores, de acordo com o China Daily.
O sismo de 12 de Maio foi particularmente trágico para as muitas famílias chinesas que perderam os seus filhos únicos, já que milhares de crianças morreram entre as cerca de 67 mil vítimas mortais e quase 21 mil desaparecidos.
A destruição de quase 7.000 salas de aula num só dia impressionou a China, com a imprensa a publicar muitas fotografias das escolas em ruínas e muitos pais a mostrarem a sua indignação quanto à segurança das infra-estruturas.
O comunicado é válido na cidade de Chengdu, que tem 10 milhões de habitantes, bem como nas duas cidades vizinhas de Dujiangyan e Pengzhou, que também foram das mais fustigadas pelo sismo.
Muitos chineses mostraram interesse em adoptar os órfãos de Sichuan e as novas regras referem que não há limites quanto ao número de crianças que cada família pode adoptar.
A nova regulamentação também afirma que os casais que adoptem uma criança ou bebé que ficou órfão no sismo, mas que ainda não tiveram um filho, poderão ter uma segunda criança por nascimento natural.
De acordo com a política em vigor, os casais que têm mais de um filho na China são punidos com multas, mas este novo comunicado para a região de Sichuan refere que, se uma criança nascida "ilegalmente" morreu durante o sismo, os pais não terão que pagar mais multas.
Da mesma forma, se o primeiro filho de um casal morreu no terramoto e os pais adoptarem um menor de 18 anos nascido "ilegalmente", essa criança pode ser registada legalmente e passar a beneficiar de direitos que antes não possuía, como os nove anos de escolaridade obrigatória.
Os bebés têm um valor especial para os pais chineses desde que o governo proibiu a maioria dos casais de terem mais um filho há cerca de três décadas.
A política do filho único foi introduzida nos anos 70, com algumas excepções para minorias étnicas e famílias em que ambos os pais são filhos únicos, numa tentativa de controlar a explosão populacional e assegurar melhores condições de saúde e educação no país.
Segundo o governo, a política resultou numa diminuição de 400 milhões de nascimentos, mas os críticos apontam que conduziu igualmente a muitos abortos, esterilizações e um perigoso desequilíbrio de sexos devido à preferência por rapazes.
Com 1,3 mil milhões de habitantes, a China continua a ser o país mais populoso do mundo.
CAIXA
Pelo menos 67.183 mortos
confirmados e 20.790 feridos
Pelo menos 67.183 mortos
confirmados e 20.790 feridos
O sismo de 12 de Maio na China causou 67.183 mortos confirmados e 20.790 desaparecidos, de acordo com um balanço ainda provisório divulgado ontem por um porta-voz do governo chinês.
O número de feridos no sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter é de 361.822, precisou o porta-voz, Guo Weimin.
O anterior balanço oficial indicava segunda-feira 65.080 mortos confirmados e 23.510 desaparecidos.
Mais de oito mil réplicas foram registadas nas duas últimas semanas na província de Sichuan, a mais atingida pelo sismo de 12 de Maio. A mais forte, registada domingo em Qingchuan, causou pelo menos oito mortos e derrubou mais de 70.000 habitações.