Guangdong limita vistos individuais a uma visita por mês a Macau e Hong Kong
Medida contra o trabalho ilegal
Medida contra o trabalho ilegal
As autoridades da província chinesa de Guangdong anunciaram o corte para metade do número de autorizações de visitas mensais a Macau e Hong Kong, numa nova limitação que fontes do sector turístico interpretam como de controlo do trabalho ilegal.
A notícia, divulgada pela imprensa chinesa de Macau, refere que as autoridades da província de Guangdong passaram a demorar 15 dias na emissão de cada visto de turismo individual o que, na prática, se traduz no corte para metade ou apenas a possibilidade dos residentes da província visitarem as duas regiões administrativas especiais uma vez por mês.
A decisão de Guangdong é a segunda tomada pelas autoridades provinciais com o objectivo de limitar as visitas a Macau e Hong Kong depois de em 2007 terem adoptado uma medida idêntica de aumento do número de dias necessário para a emissão do visto para uma semana.
Fontes oficiais em Macau contactadas pela Agência Lusa indicam que a decisão das autoridades de Guangdong terá como objectivo controlar de forma mais eficaz o “verdadeiro turismo” para Macau e Hong Kong já que se acredita que muitos dos visitantes “chegam aos dois territórios em busca de trabalho ou mesmo para a pratica de actos delituosos”.
“Tem havido um número crescente de trabalhadores ilegais do continente detectado pelas autoridades bem como é conhecido que os pequenos furtos praticados por carteiristas são, num número elevado, praticados por pessoas do continente”, disse uma fonte contactada pela Agência Lusa.
Outra fonte ligada ao sector do Turismo referiu que o “verdadeiro turismo, ou as pessoas que se deslocam de visita a Macau e Hong Kong, não terão problemas porque é natural que o número de visitas que fazem às duas Regiões Administrativas Especiais não seja superior a uma vez por mês”.
Apesar das medidas de controlo, os continentais chineses poderão, contudo, fazer mais do que uma visita a Macau “já que é prática desde a administração portuguesa permitir a sua entrada se estes tiverem um visto para Hong Kong e fizerem a viagem de barco para Macau”, disse.
“Se forem turistas que chegaram a Hong Kong de avião, não há qualquer problema porque entram em Macau mas depois não regressam formalmente a Hong Kong, já que seguem no barco directamente para a zona internacional do aeroporto daquela região sem passar em qualquer fronteira para além de Macau”, explicou.
A política de vistos individuais foi lançada pelo Governo Central chinês em 2003 para atenuar os efeitos negativos nas economias de Macau e Hong Kong devido à pneumonia atípica, mas rapidamente se transformou no mais importante sector do mercado, já que habitualmente são pessoas mais “gastadoras” do que os visitantes que chegam ao território integrados nas excursões.
Desde 2003 entraram em Macau 25,67 milhões de turistas continentais chineses com o visto individual de um total de 49,86 milhões de pessoas oriundas da China a visitarem Macau.
Dos 7,16 milhões de titulares de visto individual chegados a Macau em 2007, os operadores turísticos locais estimam que cerca de 3,6 milhões sejam oriundos da província de Guangdong.
As novas restrições de emissão de vistos individuais na província de Guangdong só poderão, contudo, ser avaliadas no último trimestre do ano, já que a partir de Junho se entra num período de férias habitualmente passadas em família, altura em que muitos cidadãos do continente aproveitam para se deslocarem a Macau e Hong Kong.
Por outro lado, novas ligações terrestres ou áreas a outras províncias ou cidades podem também atenuar qualquer impacto negativo da decisão de Guangdong.