5.6.08

Instituto questiona prioridades financeiras definidas pela direcção de Helena Rodrigues
IC rejeita responsabilidade
por ruptura financeira do IPOR


O Instituto Camões (IC) rejeitou ontem responsabilidade pela ruptura financeira no Instituto Português do Oriente (IPOR) e questiona as prioridades de financiamento definidas pela direcção da entidade responsável pela divulgação da língua e cultura portuguesa na Ásia.
"O não pagamento de leitores ou pessoal e os despedimentos em causa são desconhecidos pelo IC, aguardando-se, mais uma vez, que a Presidente do IPOR justifique ou reveja de forma justa e legal a sua proposta de redução de intervenção e financiamento, face a uma estrutura de funcionamento equivalente a 80 por cento do orçamento proposto", afirmou à Lusa a presidente do IC, Simonetta Luz Afonso.
"Até aprovação de orçamento de 2008, o IC continua a contemplar o IPOR com os montantes duodecimais relativos à sua quota, sendo de referir que os mesmos cobrem os custos com os leitorados da China, únicos centros de ensino superior ainda geridos pelo IPOR", adianta.
Na segunda-feira, a presidente do IPOR, Maria Helena Rodrigues, afirmou que o instituto "está em ruptura financeira", pelo que os vencimentos de Maio não foram pagos na sua totalidade, deixando de fora, além da direcção do IPOR, os leitores de Português instalados em universidades do continente chinês.
Pelo segundo ano consecutivo, o IPOR está a viver de duodécimos, depois de ter visto rejeitada em Dezembro de 2007 a sua proposta de plano de actividades e orçamento para 2008.
Rodrigues remeteu responsabilidades para o Instituto Camões, por não ter avançado ainda “com qualquer resposta concreta ou reforço de verba, tendo apenas informado que iria discutir o assunto com o outro associado maioritário, a Fundação Oriente”.
A situação financeira do IPOR surge poucos dias depois do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, João Gomes Cravinho, ter afirmado em Macau que o Governo português se prepara para anunciar um novo plano de divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro.
Ontem, o Instituto Camões afirmou que desde a Assembleia-Geral de Dezembro aguarda a apresentação de um "orçamento revisto, ajustado e justificado face à redução de áreas de actuação e responsabilidade propostas pela presidente do IPOR".
"Ainda que associado maioritário [51 por cento do capital], o IC não tem poderes para interferir isoladamente na gestão e funcionamento do IPOR. A definição e a aprovação das linhas gerais de orientação do IPOR são da competência da Assembleia-Geral", adiantou Simonetta Luz Afonso.
Por isso, o Instituto Camões "repudia qualquer tentativa de responsabilidade pela situação do IPOR, nomeadamente dos problemas mencionados e assumidos pela Presidente daquele Instituto".
A Lusa contactou a presidência da Fundação Oriente, que tem 44 por cento do capital do instituto, mas não obteve resposta.
A presidente do IC adiantou que o instituto assumiu em Assembleia-Geral a gestão directa e financiamento de todos os Centros Culturais e Leitorados do Oriente, "de que o IPOR se desvinculou sob sua própria proposta".
Criado em 1989, o Instituto Português do Oriente está a ensinar a língua e cultura portuguesas na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) a mais de 1.300 alunos, grande parte dos quais pertencente aos quadros dos serviços da Administração Pública.
Com quatro níveis de ensino - iniciação, elementar, intermédio e avançado - nos cursos gerais e dois cursos dirigidos a públicos específicos - um para as Relações Económicas entre a RAEM e os Países Lusófonos e outro centrado no Património e Turismo -, o IPOR conta com sete professores a tempo inteiro e cinco a tempo parcial.
Actualmente, o IPOR dá apoio a cinco universidades do continente chinês e a uma de Hong Kong, mas existem pedidos de Tianjin, Nanjing e da Universidade de Línguas Estrangeiras de Cantão, interessados em receber um leitor de Português.
Por decisão da Assembleia-Geral, realizada em Agosto de 2007, em Lisboa, o IPOR tem, desde 1 de Setembro do ano passado, a sua actividade centrada na República Popular da China.
Os Leitorados da Tailândia, Indonésia, Malásia e Coreia do Sul passaram para a tutela directa do Instituto Camões, que também coordena agora directamente os Centros Culturais de Pequim, Banguecoque e Tóquio.

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