Pequim pediu contribuição de Portugal nos trabalhos do Fórum
Colaboração sino-portuguesa
em África no próximo ano
Colaboração sino-portuguesa
em África no próximo ano
A colaboração sino-portuguesa em África pode começar já no próximo ano e 2011 vai ser o Ano de Portugal na China, disse sexta-feira, à agência Lusa, em Pequim, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, João Gomes Cravinho.
"A colaboração com a China em África vai acontecer através do Fórum Macau (Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Português)", explicou João Gomes Cravinho, em declarações à Agência Lusa em Pequim, depois da reunião com o ministro adjunto chinês dos Negócios Estrangeiros.
Pequim pediu que Portugal contribua para o programa de trabalhos do Fórum, um interlocutor especial designado pelo governo central chinês para a cooperação com os países de língua portuguesa, como ponto de partida para avançar com a colaboração sino-portuguesa no continente africano, disse o secretário de Estado.
João Cravinho observou que Portugal sugeriu à China a importância de ouvir a opinião dos actores africanos e o apoio internacional para promover a estabilidade em África, como aspectos fundamentais para a segurança dos investimentos no continente africano.
Segundo o secretário de Estado, Portugal encara o investimento chinês em África como um indicador de que o continente africano interessa à China, o que pode impulsionar o entusiasmo dos empresários portugueses.
"Estamos disponíveis para contribuir para que haja um enquadramento conjunto no plano das nossas empresas e existe a possibilidade de avançarmos com projectos concretos, sobretudo na área das infra-estruturas em 2009/2010", afirmou.
Também no plano económico, Cravinho adiantou que "há manifesta abertura de ambos os lados para que as empresas portuguesas passem a ter maior representação na China".
O responsável sugeriu que as indústrias ambientais e de energias renováveis podem encontrar boas oportunidades de negócio no mercado chinês e que Pequim demonstrou interesse pela entrada de empresas farmacêuticas e de logística na China.
Ficou determinado neste encontro que "2011 vai ser o Ano de Portugal na China", uma proposta que pode estimular a "manifesta abertura à cooperação bilateral que existe de ambos os lados" e o presidente chinês, Wu Jintao, aceitou o convite para visitar Portugal, embora ainda sem data marcada.
Segundo Cravinho, durante a discussão "das relações entre Portugal e a China", Pequim comprometeu-se com as celebrações dos dez anos da transferência do exercício da soberania em Macau e os 30 anos do restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais em 2009.
"Fiquei muito satisfeito porque foi uma reunião muito completa", comentou Cravinho, dizendo que o encontro serviu para "passar em revista a área bilateral e o campo do interesse comum internacional".