2.6.08

Crescimento da construção civil fomenta interesse
Industriais portugueses em aposta
no mercado chinês


Os industriais portugueses de materiais de construção querem aproveitar a explosão da construção civil na China para passar a exportar para o país, disse ontem o presidente da associação portuguesa do sector, António Frade.
Plásticos, sanitários, madeiras, rochas ornamentais, cerâmicas são alguns dos produtos portugueses que a AIMMAP (Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal), pretende colocar no mercado chinês até ao final do ano, disse à agência Lusa o presidente da associação, António Frade Saraiva, que coordena uma missão comercial de seis empresas à China.
"Viemos conhecer a realidade chinesa porque não podemos partir para uma guerra comercial sem nos prepararmos com um mínimo de condições", afirmou António Frade Saraiva.
Os preços, a concorrência e os potenciais clientes do sector chinês da construção vão estar na mira das empresas portuguesas que participam nesta missão empresarial de sete dias.
"A China é um mercado cheio de ameaças para os países mais periféricos como Portugal, mas é também um mundo de oportunidades muito atractivo que pode ser a alternativa certa para a diversificação do nosso mercado", assegurou o Presidente da AIMMAP.
A explosão da construção é uma realidade que a AIMMAP pretende aproveitar, uma vez que "esta expansão não existe na Europa, onde o mercado está mais estagnado. Aqui na China, as oportunidades e os rácios de crescimento são muito apelativos", explica o representante da AIMMAP.
Segundo os últimos dados divulgados pelo Ministério da Construção Chinês, relativos a 2006, o sector da construção na China cresce 22,5 por cento ao ano e em 2005 as empresas de construção facturaram mais de 3455,2 mil milhões de renminbis.
Os industriais portugueses visitaram Pequim e seguiram depois para Xangai, centro económico e financeiro da China, para realizar uma prospecção de mercado nas duas cidades mais importantes do país com um ritmo acelerado na construção de infra-estruturas.
De acordo com o jornal estatal China Daily, desde 2001 que Pequim investiu cerca de 41 mil milhões de dólares na transformação urbana da capital, com uma fatia considerável aplicada na expansão das infra-estruturas.
Em apenas dois anos, em 2007 e até ao final de 2008, os escritórios, as áreas comerciais e residenciais vão registar um crescimento de 52, 89 e 58 por cento, respectivamente, segundo o jornal.
Dados da indústria prevêem que o negócio da construção cresça entre 23 e 25 por cento nos próximos dois anos.
A certificação de qualidade e o design moderno são os factores de diferenciação dos materiais de construção lusos que lhes podem garantir uma presença competitiva no mercado e cativar os clientes chineses, disse o presidente da AIMMAP
"Somos fabricantes certificados, com produtos que passaram pelo crivo da qualidade", disse António Frade Saraiva, afirmando que os produtos portugueses "têm um design moderno que se pode transfigurar para satisfazer as exigências do novo cliente".
Segundo o Presidente da associação, a complementaridade dos produtos de construção e a flexibilidade característica das pequenas e médias empresas (PME) portuguesas, são vantagens na hora de preparar uma oferta integrada e ajustar o preço dos produtos de forma a concorrer com os preços chineses.
Eduardo Franco, director-geral da Plimat (plásticos industriais), queixou-se no entanto que "as nossas condições de partida para competir na China não são favoráveis" às empresas portuguesas do sector.
"Os custos energéticos e de transporte de mercadorias em Portugal, que são dos mais altos da Europa e encarecem os produtos portugueses" relativamente à concorrência, nomeadamente a alemã e a francesa, considerou.

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