Regatas anuais de ‘Barcos Dragão’ com recorde de 3 mil participantes
A grande festa do povo
Mais remadores, uma nova prova de ‘fundo’ e a possibilidade de haver equipas mistas na classe ‘open’ masculina. Estas são as principais novidades das regatas de ‘Barcos Dragão’ de 2008 que arrancam este fim-de-semana nos Lagos Nam Van. Por outro lado avança a passos largos a criação de um campeonato local que pode arrancar ainda este ano, soube o PONTO FINAL
Alfredo Vaz
A grande festa do povo
Mais remadores, uma nova prova de ‘fundo’ e a possibilidade de haver equipas mistas na classe ‘open’ masculina. Estas são as principais novidades das regatas de ‘Barcos Dragão’ de 2008 que arrancam este fim-de-semana nos Lagos Nam Van. Por outro lado avança a passos largos a criação de um campeonato local que pode arrancar ainda este ano, soube o PONTO FINAL
Alfredo Vaz
Está tudo a postos para aquela que é unanimemente considerada a prova mais popular do calendário desportivo anual da RAEM. As regatas locais e internacionais de ‘Barcos Dragão’ começam este fim-de-semana com as provas entre equipas locais que apuram as melhores formações para as prova internacionais que se realizam na semana seguinte, a sete e oito de Junho.
As regatas de 2008 registam um recorde absoluto de participantes – 3016 remadores inscritos - e contam com uma série de novidades: pela primeira vez realiza-se uma prova de ‘fundo’ de 2 mil metros enquanto que as embarcações inscritas na classe ‘open’ masculina poderão integrar senhoras, o que acontece também pela primeira vez no historial da competição. A crescente popularidade da modalidade, traduzida no aumento contínuo do número de equipas, na queda de recordes, e na maior competitividade das equipas locais face à competição internacional resultou num projecto de campeonato local que está a ser ultimado entre o Instituto do Desporto (ID) e a Associação de Barcos Dragão (ABD) da RAEM, e que poderá arrancar ainda este ano. José Tavares, Vice-Presidente do ID, revelou ao PONTO FINAL que já foi elaborado um ante-projecto para a criação de uma ou mais provas regulares: “estamos a incentivar a Associação nesse sentido, para termos mais provas do que apenas os dois fins-de-semana por ano. Pensamos que já se justifica face a uma procura cada vez maior. A existência de um campeonato é um incentivo para as equipas continuarem a treinar regularmente, ao longo do ano, em vez de se concentrarem apenas para estas regatas.” Tavares diz que é possível, até desejável, que o campeonato arranque ainda este ano “com mais uma ou duas provas”, tudo dependendo do número de equipas que manifestem a intenção de participar. O ante-projecto elaborado pelo ID e pela ABD prevê duas modalidades competitivas: um ou dois fins-de-semana extra por ano (antes e depois das provas locais e internacionais de Junho) ou um campeonato por pontos. A ideia tem alguns anos mas, assegurou Tavares “nunca esteve tão perto de se concretizar como agora. Penso que desta vez estão reunidas todas as condições. Tem havido uma grande evolução na modalidade, e não estou a falar apenas no número de novos participantes, mas na própria qualidade das performances. Basta ver os resultados comparativos em relação aos últimos anos. Há evolução contínua das marcas, e cada vez mais - de ano para ano - estamos mais pertinho dos mais fortes. Antigamente contra as equipas chinesas, das melhores do mundo, costumávamos perder por larga margem, agora – e como vimos o ano passado – muitas das corridas discutem-se ao décimo de segundo, às vezes a centésimos de segundo.” O ano passado, foi necessário recorrer por cinco vezes ao sistema de ‘photo-finish’ para apurar a ordem de chegada de uma mão-cheia de regatas. A evolução competitiva é também notória nos seleccionados da RAEM que – de ano para ano – tem galgado lugares no ‘ranking’ da federação mundial onde ocupa neste momento o quarto lugar ‘oficioso’ do sector masculino, atrás da República Popular da China, Austrália e Filipinas. José Tavares considera que a selecção tem uma dinâmica e uma estrutura muito diferentes daquela que tinha ainda há dois anos atrás: “ os seleccionados enveredaram por uma via mais profissional, há uma preocupação e dedicação maiores, com mais treinos e participações regulares em provas internacionais. A própria selecção evoluiu em termos estruturais havendo agora duas equipas, ‘A’ e ‘B’ tanto no sector masculino como feminino.”
Prova de ‘fundo’ promete espectáculo
A competição reparte-se em dois fins-de-semana: no primeiro (amanhã e domingo) realizam-se as regatas locais que apuram as melhores equipas para as provas internacionais que decorrem depois a sete e oito de Junho. A principal novidade é a introdução de uma prova de ‘fundo’ de dois mil metros, que ‘abrilhanta’ o programa que incluiu as habituais corridas de ‘sprint’: 250 metros (embarcações pequenas de 10 remadores), e 500 metros (embarcações grandes, 20 tripulantes). Em 2005, quando Macau acolheu os Campeonatos Asiáticos, realizou-se a primeira – e até aqui única – corrida de dois mil metros. Mas é a primeira vez que esta vertente é introduzida na competição local. Ao contrário das provas de ‘sprint’ de 250 e 500 metros – em pistas rectas - em que a classificação é definida pela ordem de passagem sobre a linha de meta, a corrida de dois mil metros realiza-se em sistema de contra-relógio com as formações a saírem espaçadas de 30 segundos ou um minuto (dependendo do número de inscritos) e tendo que dar quatro voltas ao circuito. A introdução desta prova de ‘fundo’ está relacionada com a realização em Macau em 2010 dos 7ºs Campeonatos do Mundo de Clubes. Pode dizer-se que se trata de um ‘evento teste’ de preparação para a segunda mais importante prova do calendário da Federação Internacional de Barcos Dragão (a seguir aos mundiais por selecções nacionais) e que a RAEM vai acolher pela primeira vez daqui a dois anos.
Seguindo igualmente as directrizes da Federação Internacional, a outra do programa deste ano é a possibilidade de mulheres integrarem as equipas participantes na classe ‘open’ masculina. Pela primeira vez é permitido às tripulações inscritas na classe ‘open’ masculina terem elementos femininos, até um máximo de quatro remadoras por embarcação.
Recorde absoluto de participantes
3016 é o número provisório de participantes inscritos até às 17:00 de ontem. O registo - o maior da história da competição - pode até ainda crescer uma vez que há a possibilidade de se inscreverem mais equipas internacionais durante a próxima semana.
Até ontem estavam inscritas 94 equipas na classe ‘open’ masculina e 36 no sector feminino. Do programa fazem parte regatas locais para pequenas e grandes embarcações, a Taça Trabalhadores da Função Pública, uma regata universitária e as regatas internacionais por convite. As corridas principais contam com equipas da República Popular da China (as favoritas), de Hong Kong, das Filipinas (segunda do ‘ranking oficioso’ mundial), dos Estados Unidos e da Austrália.
A organização espera uma grande adesão do público e instalou uma bancada coberta suplementar com capacidade para mais 300 espectadores: “procuramos sempre aumentar o conforto de participantes e espectadores. Este ano demos mais um passo com uma nova bancada mesmo de frente para a linha de chegada, é um local sempre muito concorrido e que parece ser sempre pequeno, tal é a procura”, disse José Tavares ao PONTO FINAL.
Estima-se que em 2007 cerca de 25 mil pessoas tenham assistido aos quatro dias de provas e que o número aumente consideravelmente este ano, também pelo crescente interesse e procura das comunidades expatriadas fixadas na RAEM.
As provas do primeiro dia do programa arrancam às 9:00 horas de amanhã de manhã.