29.5.08

Governos de Portugal e Macau estudam nova localização para a Escola Portuguesa
Hotel Estoril é a hipótese

Os Governos de Portugal e de Macau estão a estudar a viabilidade de instalar a Escola Portuguesa no edifício do antigo Hotel Estoril, no centro da cidade, disse ontem à Agência Lusa fonte ligada ao processo.
De acordo com a mesma fonte, depois de Stanley Ho, magnata do jogo, ter avançado em 2007 com a ideia de instalar a Escola Portuguesa no edifício onde durante vários anos funcionou a unidade hoteleira e de Portugal ter aceite estudar a solução, o líder do Governo de Macau, Edmund Ho, fez avançar o processo e encarregou o Secretário dos Transportes e Obras Públicas de coordenar os estudos.
“É um trabalho normal que está a ser desenvolvido por ambas em partes num espírito de colaboração e ajuda com o objectivo de encontrar as melhores soluções possíveis para as novas instalações da escola”, disse a fonte contactada pela Agência Lusa.
Recorde-se que Stanley Ho já avançou com parte dos 280 milhões de patacas que prometeu entregar à Escola Portuguesa para a mudança de instalações da instituição que lhe permitam negociar com o Executivo o arrendamento do terreno onde actualmente funciona a instituição, que fica ao lado do Grand Lisboa Hotel Casino, propriedade do magnata.
Em 2005, a então ministra da educação portuguesa, Maria do Carmo Seabra, assinou um acordo com o Governo de Macau para a mudança de instalações da Escola Portuguesa.
Em Macau para uma curta visita de algumas horas para contactos com governantes locais e participar numa conferência na Universidade de Macau sobre os 50 anos da União Europeia, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português confirmou a existência de estudos, sublinhou que a escola só mudará de instalações “para melhor” e garantiu “não ser algo que tenha de ser tratado com urgência”.
“A acontecer, acontecerá naturalmente, com tranquilidade e será sempre uma mudança para melhor. É esse o nosso compromisso”, disse João Gomes Cravinho.
Apesar de admitir a mudança, Gomes Cravinho defende, no entanto, que “há condições” para a escola se manter no mesmo sítio - nas antigas instalações da Escola Comercial Pedro Nolasco da Silva - onde funciona há cerca de 10 anos.
"Impressionou-me a qualidade do trabalho, a qualidade do equipamento, o compromisso do corpo docente. Julgo que a Escola Portuguesa de Macau ao longo destes 10 anos tem feito um trabalho extraordinário, muito louvável e estou muito confiante e optimista que esse trabalho continuará por muitos anos”, afirmou, depois de visitar, pela primeira vez, as instalações.
Gomes Cravinho reafirmou também que a mudança de tutela da Escola Portuguesa para o Ministério dos Negócios Estrangeiros é um processo normal que decorre das reformas em curso em Portugal.
“Esta transição não terá, para já, nenhum efeito na Escola Portuguesa ou nas outras escolas, mas estamos a preparar uma nova política de apoio à língua portuguesa no estrangeiro”, disse.
A nova política, que deverá estar concluída em meados de Junho, tem como objectivo “criar melhores condições” para que as instituições de divulgação da língua e cultura portuguesas possam continuar e melhorar o seu trabalho, explicou.
Já a criação de uma vertente internacional na Escola Portuguesa de Macau - como também defende Roberto Carneiro, presidente da fundação proprietária da instituição - Gomes Cravinho referiu apenas que é uma matéria em estudo, cujas conclusões deverão ser tiradas dentro de um ano.
O secretário de Estado, que viajou ontem para Pequim, acrescentou que em 2009 Portugal pretende comemorar com a China os 30 anos do restabelecimento das relações diplomáticas e “assinalar uma história de sucesso” que foi a transição de Macau.
“A negociação da transição de Macau foi um trabalho extremamente intenso feito com as autoridades chinesas e que permitiu um grande capital de confiança entre as diplomacias dos dois países”, afirmou, salientando que “vale a pena também estudar as formas para conjuntamente celebrar de maneira mais condigna” as duas datas.
As relações internacionais também vão fazer parte da agenda do governante português, com especial incidência no continente africano. "Serão conversas, sobretudo, ao nível das relações internacionais, da cooperação em outras partes do mundo, de um trabalho comum, eventualmente, em África”, explicou o responsável.
Instado a comentar se a China poderá ser um entrave ao desenvolvimento da presença portuguesa em África devido aos apoios financeiros concedidos, o secretário de Estado recusou a tese e garante mesmo ser o contrário.
”O interesse da China por África é um indicador que África interessa e isso também de repercute naquilo que é o entusiasmo dos empresários portugueses”, disse salientando não ter nenhuma proposta concreta para a cooperação China/Portugal em África.
”O que queremos é criar as condições para que essa cooperação possa existir, queremos trocar impressões sobre várias partes do continente africano que nós conhecemos bem e que a China começa a ter algum conhecimento sobre algumas partes e, portanto, é um bom momento para trocarmos impressões”, concluiu.

CAIXA
Associação de Pais está contra

O presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau, José Oliveira Paulo, disse ontem à Rádio Macau que a hipótese de transferência para o Hotel Estoril não é uma boa solução. "As instalações são menores do que as actuais, embora a localização seja boa." Oliveira Paulo disse ainda que a hipótese de se utilizar o Pavilhão Desportivo do Tap Seac coloca várias dúvidas e não é possível garantir que essa mesma utilização seja possível. "Há sempre um torneio ou um jogo qualquer que, automaticamente, param as outras actividades. A Escola só poderá utilizar esse espaço quando o Instituto de Desporto autorizar. Se nós, neste momento, já temos limitações no que diz respeito à prática desportiva, muito mais passaremos a ter se estivermos dependentes de outras entidades, como é óbvio."

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