27.1.08

EMBAIXADOR DA MONGÓLIA EM VISITA À RAEM
Mongólia com Macau contra tráfico humano

Galsan Batsukh conversou com o Chefe do Executivo sobre tráfico de pessoas, casinos e uma maior colaboração a nível desportivo e cultural. Esperam-se acordos escritos do encontro

Marta Curto

"Queremos assinar um acordo com Macau sobre o tráfico humano", admitiu Galsan Batsukh, embaixador da Mongólia, em Pequim. Batsukh chegou ontem à RAEM depois de uma visita de dois dias a Hong Kong, encontrou-se com o Chefe do Executivo e com o secretário da economia, e marcou uma conferência de imprensa com os jornalistas de Macau. A visita tencionava estreitar os elos comerciais entre o território e a Mongólia, e nada melhor do que a comunicação social para promover o país entre investidores interessados. O tráfico humano não foi abordado espontaneamente pelo embaixador, que preferiu falar sobre futuras colaborações a nível de cultura e deporto. Mas quando a pergunta surgiu, Galsan Batsukh ficou em silêncio durante alguns momentos, sorriu, e disse que o jornalista em causa fizera bem o trabalho de casa.
Já não é novidade que existem muitas mulheres da Mongólia a prostituírem-se pelas ruas de Macau. Muitas vieram com outras promessas de vida e acabaram enredadas em esquemas que não haviam escolhido. Galsan Batsukh não pretende sequer esconder que esta é uma questão premente entre os dois governos e garante que, já no ano passado, foi entregue um rascunho do tratado contra o tráfico humano ao chefe do executivo. "Ainda temos de negociar alguns pontos, mas há vontade dos dois lados em assinar este acordo e penso que isso irá acontecer brevemente", garantiu o embaixador.
A verdade é que este assunto não pode ser tratado de ânimo leve pela RAEM, desde que o nome de Macau surgiu relacionado ao fenómeno em vários relatórios internacionais. Aliás, o Departamento de Estado norte-americano explicou ao governo de Macau que, no primeiro semestre de 2006, tinham sido registados dez casos de tráfico humano, envolvendo 17 mulheres que teriam sido enganadas para entrar no território. Em Julho passado, os Estados Unidos chegaram a afirmar que iam vigiar o território, acusando a RAEM de não ter leis específicas de combate ao fenómeno. Edmund Ho respondeu que dispensava a interferência em assuntos do território e que o tráfico de pessoas em Macau não era tão grave como noutros locais. Em Agosto acabou por ser criada a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas. O eventual acordo com a Mongólia é mais carta no baralho do tráfico humano em Macau.

Casinos na Mongólia com formação em Macau

"Não queremos ser um destino de jogo, a Mongólia quer promover o pais como um destino de férias onde exista tudo para satisfazer os turistas, nomeadamente casinos", explicou Galsan Batsukh. Por enquanto, a Mongólia ainda não tem uma legislação que regulamente o jogo, mas quando tiver, o embaixador garante que o seu país pensará em ter casinos nas suas duas zonas francas. É a segunda vez que Batsukh vem a Macau, tendo sido esta a primeira oficial. E se nesta viagem relâmpago de dois dias pouco tempo haverá para trocar impressões com empresários locais, na primeira o embaixador admitiu ter falado com algumas operadoras de jogo de Macau - não especificou quais -, e ter sentido "alguma curiosidade da parte deles por um eventual investimento na Mongólia". As zonas francas situam-se a sul, na fronteira com a China, e a norte, fazendo fronteira com a Rússia. E se Batsukh afirma que o seu pais não deseja criar outra capital do jogo asiática, a verdade é que se espera que a colaboração entre a Mongólia e a RAEM passe também pela formação de profissionais mongóis em hotelaria, gestão e turismo quando os casinos forem permitidos. Para alem de "contamos vir a Macau aprender com a experiência que o território tem com a industria do jogo". Por enquanto ainda nada disto tem datas já que as eleições parlamentares acontecerão em Junho deste ano. Nessa altura, a Mongólia elegerá uma nova assembleia, onde Batsukh espera ver discutida a legislação sobre o jogo.
Também não há data marcada, nem certeza em como acontecerá, para a carta de intenções de cooperação que o embaixador gostaria de ver assinada.
Macau é óptimo a atrair investimentos estrangeiros e tem grande know how na arte do entretenimento. "E a Mongólia é única em termos culturais, históricos, naturais e de estilo de vida". Segundo o embaixador, os turistas que vêm da Mongólia para Macau procuram os eventos desportivos e culturais, e é a esse nível que se quer fomentar a colaboração. Trazer espectáculos de artistas mongóis para cá, participar activamente nos eventos desportivos que a RAEM organiza e levar a cultura de Macau, "que é única por ter várias influências", à Mongólia. Batsukh não se esqueceu também de falar na famosa caxemira do seu país, "porque num dia frio como este, estariam quentes com aqueles xailes", que espera ver cada mais exportada. Os movimentos de turistas entre os dois territórios são outra prioridade de Pequim e a, já existente, isenção de vistos de entrada entre os dois territórios, por determinado período, ajuda. Batsukh afirmou também que tenciona instalar um consulado da Mongólia em Macau, assim que tal for possível. Em nome do presidente da Mongólia, o embaixador convidou o chefe do executivo a repetir a visita que fez a Mongólia, em 2004. Talvez nessa altura sejam ratificados os acordos propostos.

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