18.8.08

Ronald Cheong considera normal descida dos preços das habitações
"Ponte sobre o Delta não vai afectar
sector imobiliário da RAEM"


O CEO de uma das mais importantes agências imobiliárias do território, a Mid Land não acredita que a nova ponte sobre o Delta influencie os preços das casas na RAEM. Em conversa com o PONTO FINAL, Ronald Cheung explicou que são os investidores estrangeiros que definem o andamento do mercado local. Mercado que considera estar a ficar mais maduro, não vendo por isso razão para não encarar futuro do sector com optimismo

Rui Cid

Ronald Cheung, CEO da Mid Land, uma agencia imobiliária com sede em na RAEM, considera que a futura ponte que vai ligar Macau, Zhuhai e Hong Kong não irá influenciar o sector imobiliário no território. Em declarações ao PONTO FINAL, Ronald Cheung explica que, apesar da nova ponte ser uma boa noticia para Macau e para a região, os investidores com capacidade para afectarem este sector, vêm de paragens mais distantes, nomeadamente dos Estados Unidos, Coreia, Japão e Singapura:" representam apenas 20% do numero total de investidores, mas é destes países chegam os investimentos mais avultados, aqueles que ditam se os preços sobem ou descem, o poder económico destes grupos é muito forte". Ronald Cheung frisa, contudo, que a ponte poderá trazer outras vantagens económicas, mas há que aguardar 10 anos para se perceber quais: " se ela já estivesse pronta, talvez fosse diferente, mas só daqui a uma dezena de anos é que irá estar pronta, e por isso acho que para já não vai haver grandes reacções no mercado. Penso que em Zhuhai, onde os preços das casas ainda são baixos, o sector imobiliário poderá sair beneficiado, porque a margem para investir ainda é muito grande."

"O mercado imobiliário de Macau está a ficar mais maduro"

Cauteloso em relação ao futuro a longo prazo, Ronald Cheung não se coibiu de falar do presente do sector imobiliário do território. Na sua edição de ontem, o South China Morning Post dedicava meia página ao estado deste sector em Macau, e recordava dados estatísticos que mostram que nos primeiros 5 meses do ano o número de apartamentos vendidos sofreu uma redução de 34,3% em relação ao ano passado, tendência que já se repetira em 2007, ano em que foram registadas menos 22% transacções relacionadas com o imobiliário do em 2006. Ainda assim, o jornal de HK referia que as agências imobiliárias se mantinham optimistas. E a razão para esse optimismo pode estar na noção de que o mercado em Macau está mais estável. Na conversa telefónica que manteve com o PONTO FINAL, Ronald Cheung considerou que o mercado imobiliário do território "está a ficar mais maduro". O CEO da Mid Land olha para a descida dos preços dos imóveis com naturalidade: " após 5 anos de crescimento económico e de infra-estruturas acentuado, a cidade, a exemplo da economia mundial, entra agora numa fase de relativa acalmia. Antes do boom económico, as propriedades estavam bastante subvalorizadas. Nos últimos anos Macau tornou-se numa cidade próspera e os preços registaram subidas para níveis superiores ao aumento do PIB. Como o mercado está, agora, mais consolidado, é natural que os preços desçam para valores mais próximos da realidade. Sim, é verdade que os preços caíram 20%, e essa percentagem parece drástica, mas quando os preços anteriormente dispararam também de forma drástica. Em Hong Kong, por exemplo, no complexo residencial "One Central", em fase de construção em HK, o metro quadrado estava, há quatro/cinco anos, a ser negociado acima dos 8 mil dólares de Hong Kong, valor que caiu para metade nos últimos 6 meses." Ronald Cheong não se mostra desta forma muito preocupado com as estatísticas, e prevê que a breve trecho, os preços dos imóveis subam "ligeiramente", até porque "o território continua a ficar melhor de dia para dia". Uma ideia que vem ao encontro das palavras de Keith Lawson, director da empresa de investimentos em propriedades Risdon, Lawson & Lo, que tem sede em Macau, e que em declarações ao South China Morning Post tinha sublinhado que no território "não faltava dinheiro". Ao argumento financeiro usado por Keith Lawson, Franco Lui, director de outra agencia imobiliária do território, a Savills, junta os incentivos fiscais - impostos baixos, e ausência de taxas sobre mais-valias. Mas, como sempre, não há bela sem senão - a burocracia. Ao jornal de Hong Kong, Keith Lawson lamenta o facto de os contractos de compra e venda ser escritos em português, algo que "obriga os investidores do estrangeiro a terem que contratar um advogado local". "A muita papelada a preencher é", igualmente, motivo de lamentos: "uma transacção que podia ser concluída em 10 dias demora entre um a dois meses." A burocracia e a queda nos preços não fazem ruir a confiança que Franco Lui deposita no futuro sector do imobiliário. O director da Savills acredita que Macau vai continuar a atrair investidores, principalmente aqueles com forte poder de investimento. A esses, Franco Lui sugere a zonas do cotai - na Taipa - e dos lagos Nam Van, local onde estima que os preços das habitações de luxo registem, nos próximos anos, subidas na ordem dos 15%.

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