Mostrando postagens com marcador Nº 1561 - Sexta-feira 13 de Junho de 2008. Mostrar todas as postagens
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15.6.08

Família Senna Fernandes
Renascença Macaense

Depois de oito anos de governação chinesa, os Macaenses perderam muitos medos, em especial aquele que tinha a ver com a sua propria existência. Em 2008, a comunidade parece mais forte que nunca, mantendo as suas tradições e ressuscitando o Patuá. A família Senna Fernandes continua a dar sentido ao que é ser Macaense na pós-transição

Nuno Mendonça

Estar em Macau e não ter ouvido falar de Henrique de Senna Fernandes, é como o ditado de Roma e o Papa. Henrique é advogado, mas acima de tudo o escritor que eternizou o Macau de duas comunidades que aprenderam a viver juntas, com histórias de amor proibidos e casamentos mais ou menos felizes.
O filho, Miguel, é advogado como o pai, foi deputado da Assembleia legislativa nos últimos anos da administração portuguesa e defensor acérrimo da cultura macaense, que divulga na trupe teatral Doci Papiaçam di Macau, essa deliciosa revista à macaense, onde se faz a critica social da terra.
Os dois são orgulhosos Filhos da Terra, o equivalente local de nobreza. Estou seguro que Henrique e Miguel serão os primeiros a criticar o exagero, mas o facto é que a família Senna Fernandes vive em Macau há pelo menos 250 anos.
Quando me encontrei com Miguel no seu escritório da Praia Grande, quis saber antes de mais o que é ser macaense em 2008.
Há claro a mistura de sangue chinês e português (e goês, africano, japonês, malaio, indonésio e timorense, pelo menos).
“Portanto somos mestiços, e quem não o é neste mundo?” pergunta Senna Fernandes filho.
Se as definições antropológica e etnológica perderam de alguma forma sentido, o que é então um Macaense?
Miguel parte para uma explicação cultural: “São necessárias duas coisas: a ligação da pessoa a Macau, e é isso que explica que mesmo um macaense que não tenha nascido aqui, se sinta macaense porque os seus antepassados são macaenses, mas acima de tudo a referência da terra que é Macau. A segunda característica, que é mais discutível, é a ligação a Portugal. Não é uma questão jurídica porque a questão da nacionalidade está ultrapassada. É a ideia de Portugalidade.”
E Miguel explica o impacto da sua definição: "Hoje o que vemos num macaense, de um ponto de vista chinês, é um koi-chái, um filho de um bárbaro que não fala a língua dos bárbaros, mas sim o cantonense,” (risos). “Isto é anedótico,” continua, “mas hoje é de facto muito útil. Para um amante do português, as gerações de macaenses que vimos aqui são desastrosas, porque o português já não tem qualquer tipo de atracção para o macaense. Mas apesar disto, é um indivíduo com uma forte ligação à sua terra e determinado a usar o seu nome português. É isso que é um macaense,” conclui.
Por isso mesmo e em 2008, o guarda-chuva macaense é suficientemente grande para abrigar não-falantes do português, chineses que aprenderam português e são católicos devotos e até portugueses sem qualquer antepassado chinês que vivem aqui há muitos anos e de alguma forma assimilaram as tradições macaenses. O importante, Miguel argumenta, é a aceitação pela comunidade macaense.
É uma situação extraordinária, só possível pela continuidade da centenária tolerância chinesa. Comunidades multiculturais e mestiças em diversas partes do mundo têm por vezes um destino trágico. Vistas pela maioria da população como aliados do antigo poder colonial, são condenadas a uma crise de identidade, não sendo aceites por nenhuma das populações dominantes.
É um facto que os macaenses foram durante séculos os intermediários entre os governantes portugueses e a maioria chinesa. Ora quando Lisboa e Pequim assinaram a Declaração Conjunta em 1987, muitos temeram que um estilo de vida centenário tinha os dias contados.
“No princípio dos anos 90,” conta Miguel, “a questão mais frequente que os chineses levantavam era: você é Chan Chou (ligado `a China) ou Chan Pou (próximo de Portugal)? Esta dualidade era predominante, até que às tantas eu disse: ‘nem somos um nem somos outro, somos Chan Ou, ou seja somos de Macau, somos macaenses, não temos de escolher.”

Os papéis da China
e de Portugal depois de 99


O certo é que nenhum dos medos dos macaenses se materializaram. “Hoje penso que o nosso modo de vida é mais forte e que os chineses nos compreendem,” defende Senna Fernandes.
Esta relação é em parte justificada pelo bom entendimento com Edmundo Ho que sempre teve a comunidade portuguesa (macaense e expatriada) em alta estima, mas também pelo facto de Pequim ter compreendido que nada tem a temer dos macaenses.
Lamentavelmente Miguel Senna Fernandes não pode dizer o mesmo de Portugal no pós 99. Há um ressentimento latente naquilo a que chama “a falta de estratégia para Macau.”
“Sentimos que fomos abandonados por Portugal e esse é um sentimento geral. O desígnio nacional que Macau era acabou a 19 de Dezembro de 1999,” desabafa Senna Fernandes.
E para ele, a Escola portuguesa representa a materialização dessa falta de visão. “A Escola Portuguesa, no modelo que tem hoje em dia, está a perder cada vez mais alunos, porque as pessoas procuram outras alternativas nas escolas internacionais,” critica Senna Fernandes.
“A Escola até tem excelentes métodos de ensino. Os alunos estão muito bem preparados quando saem para estudar noutros países, Portugal, Austrália ou outros. Mas ninguém sabe disso. Portugal está muito longe de tudo isto. “, adianta.
Mas é para a Fundação Oriente que guarda as palavras mais duras: “A Fundação Oriente pode estar de muito boa fé nas coisas que faz (referindo-se ao Museu do Oriente), mas sou muito crítico em relação a ela. Eu acho que ao demitir-se das suas responsabilidades da Escola Portuguesa foi a coisa mais vil que podia ter feito. Era um compromisso absolutamente sério, mas disse – eu já dei aquilo que podia e agora vou-me embora! – não é assim que se fazem as coisas!,” diz Senna Fernandes.
O modelo que Miguel defende é pois o de uma escola internacional, com ensino do Inglês e Mandarim, sem esquecer uma forte componente do Português. Isso poderia inclusive atrair uma nova geração de Chineses, interessados em aprender português, agora que Pequim tem um interesse estratégico nos países africanos de língua portuguesa e no Brasil. Não foi `a toa que Macau foi escolhido para sede do Fórum de Cooperação e Comércio entre a China e os países de expressão portuguesa.
Mas pode Macau tornar-se num centro de difusão do português na Asia?
Senna Fernandes não acredita na possibilidade se depender de Portugal. Aceita que os interesses de Pequim podem ser puramente económicos, mas defende que deviam ser usados a favor de Macau.
“O que é extraordinário é que aqueles que estão a defender a lingua portuguesa aqui em Macau, são os chineses,” diz Senna Fernandes.

Macau Hoje e no Futuro

Apesar dos pesares, Miguel Senna Fernandes está optimista quanto ao futuro dos macaenses e espera que o novo chefe do exectivo que, espera, não seja um empresário, possa continuar a boa relação com os portugueses. Nome `a vista? “Não sei quem seria óptimo. Fala-se muito de Hoi Heng Seng. Parece uma pessoa sensata, discreta, mas não o conheço na sua relação com macaenses, temos de esperar para ver” diz Senna Fernandes.
Quanto ao seu regresso à politica, o antigo deputado diz quer não está no seu horizonte imediato, até porque a passagem pela assembleia legislativa “não foi para mim uma experiência do outro mundo.” “Eu estou muito bem cá fora,” conclui, apesar de ir dizendo que nunca pode dizer nunca.
Quanto à situação actual de Macau, olha-a com alguma apreensão, com a ênfase dada aos casinos e hotéis e o negligenciar de áreas como a saúde, transportes e educação. Mas para isso, a sociedade tem de mudar.
“Macau não tem economia,” defende Senna Fernandes, “Macau tem empresários públicos, merceeiros e casinos. Não há o in-between, infelizmente. Seria realmente necessário criar uma certa consciência de classe media forte em Macau.”
Por isso acredita que ainda é cedo para a população poder avançar para eleições directas, por um lado por falta de educação cívica e uma prática activa de cidadania.
“Um dia vai acabar por ser tudo directo (referindo-se às eleições directas), mas agora não estou a ver Macau preparado para isto,” conclui.
E uma associação política macaense faz sentido?
“Na dita conjuntura, não estou a ver condições em Macau para criar uma associação de cariz politico. Eu acho que nós lucraríamos muito mais com associações de cariz cultural. Muita gente diz que não reivindicamos mais e não somos interventivos. Porque é que uma associação cultural não pode ser interventiva? Aquilo que se faz não tem impacto politico? Claro que tem,” defende Miguel Senna Fernandes.

O Renascimento do Patuá

O Patuá tem sido a arma eleita para uma intervenção cultural forte por parte dos macaenses. O sucesso dos últimos anos que culminou com a candidatura a património intangível da humanidade junto da UNESCO é ainda mais surpreendente se se pensar que foi condenado à extinção pelo seu próprio povo durante o século passado. “Um macaense tinha vergonha de falar Patuá, da mesma maneira que tinha vergonha de se assumir como macaense,” lembra Senna Fernandes. “Quando era pequeno, partilhei da mesma vergonha porque na altura pensava-se que falar Patuá era falar mau português. O português era a referencia, a norma, a língua de gente. Falar patuá era ser menos que gente e ninguém queria isso,” salienta.
Agora que a riqueza vocabular e cultural desta lingua foi finalmente resgatada, o reconhecimento pela UNESCO pode dar-lhe o sopro de vida definitivo de que precisa. “Unificaria muitos macaenses espalhados pelo mundo. E para a China, é importante ter uma língua multi-secular de Macau. É uma marca de tolerância que a prestigia,” argumenta Senna Fernandes.
Em Julho, Miguel vai liderar um workshop de Patuá, que entre outros objectivos pretende fazer o levantamento de mais palavras e expressões do patuá. Como outras línguas, o patuá muda de acordo com as latitudes do mundo por onde os macaenses se espalharam.
O patuá de Macau difere um pouco daquele falado na Califórnia ou na Austrália. Miguel acredita que, à semelhança do português, terá de haver também de haver um acordo ortográfico no patuá. Por isso lança o repto aos macaenses espalhados pelo mundo: “ensinem-nos o que sabem, corrijam-nos, não matem a vossa cultura levando segredos para a tumba.”


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Henrique de Senna Fernandes
O filho varão de Macau

Nuno Mendonça

Um encontro com Henrique de Senna Fernandes é como uma visita a um avô. Um avô português e caloroso cujo rosto reflecte a história de família e cujas palavras lembram aquela língua delicada e polida de outros tempos que está em acelerada via de extinção.
Senna Fernandes é a personificação da Macau do século XX, com as suas vitórias e tragédias, medos e celebrações. Não que Henrique pareça particularmente envelhecido nos seus 84 anos, aparte de um problema de voz. O que possui é aquela particularidade rara de quem transcende a vida ainda vivo, prova de que a viveu ao máximo.
Filho de uma ilustre família, tece uma vida próspera e confortável com os seus 10 irmãos até ao rebentamento da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando o seu pai perdeu a fortuna em Hong Kong e a família teve de procurar abrigo em Macau, fugindo ao avanço japonês.
“Passámos por um período de miséria terrível, sofremos descriminação, mas o meu pai era muito orgulhoso. A minha mãe era uma das mulheres mais lindas de Macau e muito corajosa. Sou muito honrado por ter sido seu filho. Toda essa experiência me mudou muito,” lembra Senna Fernandes.
Essa vida no limite, deu-lhe contudo a coragem para continuar e possivelmente fortaleceu o seu talento para a escrita. É graças a ele que a Macau dos anos 30, 40 e 50 foi salva através de livros como a Trança Feiticeira (passado para a tela), “Nam Van” e “Mong-Há”.
O amor é o tema recorrente, com frequência o amor entre uma rapariga chinesa e um rapaz macaense. De alguma forma, há referências autobiográficas nos seus livros. Também ele, o orgulho de uma família tradicional macaense amou e casou com uma bela mulher chinesa, desafiando as convenções de uma cidade pequena e conservadora.
“Sentimos descriminação, não o faziam à nossa frente, era mais subtil. A minha mulher sofreu com isso, mas ela era muito orgulhosa e recusou sempre ir às recepções oficiais e jantares na casa do governador, onde ninguém falava chinês. Mas tudo isso passou, eu amei-a muito e o amor tudo vence, “ reflecte o escritor.
Estudou direito em Coimbra, tornou-se advogado, regressou e montou escritório, apenas para conseguir independência financeira. A sua verdadeira vocação foi sempre escrever e ensinar.
Sou adorado pelos meus antigos alunos. Dei aulas de história no liceu e na escola comercial durante trinta anos,” diz com orgulho.
Durante todos esses anos, sempre teve (e ainda tem) orgulho das suas raízes portuguesas. “A minha pátria é Portugal, a minha mátria é Macau,” gosta de dizer.
Mas curiosamente nestes anos mais tardios, Henrique de Senna Fernandes parece questionar mais os seus afectos pela pátria.
“A educação que tivemos era demasiado portuguesa e completamente errada. Acreditávamos que Portugal era o melhor do mundo, quando na verdade tinha tantos defeitos como qualquer outro país, mas a Europa era tudo para nós,” relembra.
Lamenta a divisão entre chineses e portugueses, muitas vezes exacerbada pelo sentimento de superioridade de alguns oficiais lusos.
“Portavam-se como uns reis e conquistadores e eram terrivelmente insultuosos e arrogantes,” diz Senna Fernandes, “ e claro que não tinham qualquer tipo de preparação. Durante o 1,2,3 (referindo-se aos incidentes em Macau da Revolução Cultural), não tinham a mínima ideia do que estava acontecer nas ruas e mantiveram a insolência de sempre,” conclui.
Felizmente os tempos e as administrações portuguesas evoluíram. Mas o homem que disse um dia que o ver o arrear da bandeira a 19 de Dezembro de 1999 era o “momento mais infeliz da vida”, já não está tão seguro desta afirmação.
“A nova administração foi generosa e reconheceu à nossa comunidade a dignidade que merece,” salienta.
As 84 anos, o homem mais condecorado de Macau tem contudo algumas mágoas em especial o não ter escrito mais depois da morte da mulher que muito o desgostou. E o mais triste é a falta de um herdeiro literário.
Segundo Senna Fernandes, “não há ambiente para escrever aqui, os chineses são demasiado práticos e mesmo os macaenses preferem outros divertimentos.” E está Henrique de Senna Fernades em paz?
“Estou mais ou menos em paz, tirando alguns pecadilhos.”
Deputada denúncia falta de atenção do Governo na prestação de serviços comunitários
Ilha da Taipa é parente pobre

Mais de um quinto da população de Macau – a esmagadora maioria residente na Taipa - carece de apoio social e os principais prejudicados são os idosos e as crianças. A denúncia foi feita ontem pela deputada Iong Weng Ian que exigiu ao Executivo que estude e mande aplicar com urgência medidas eficazes de auxílio aos mais carenciados

Alfredo Vaz

A explosão demográfica registada na última década na RAEM, com especial incidência na Ilha da Taipa (hoje em dia muito mais que um ‘dormitório’ da cidade de Macau), apanhou desprevenidas as instituições de apoio social. O problema, denunciou ontem a deputada Iong Weng Ian, faz-se sentir com especial incidência – e assume foros que roçam “o dramático”- entre a população residente na Ilha da Taipa, o segundo maior agregado populacional da Região Administrativa Especial.
Por isso, Iong foi ontem à Assembleia Legislativa pedir ao Governo que invista mais na prestação de serviços comunitários. A deputada sustenta que há falta de Centros de Dia para idosos e creches para crianças.
A deputada usou o Período de Antes da Ordem do Dia (PAOD) do regimento da Assembleia para fazer a denúncia pública e exigir ao Executivo que estude e mande aplicar medidas com carácter de urgência. Iong Weng Ian, revelou que há 120 mil pessoas no território que necessitam de serviços comunitários das respectivas instalações de apoio. A deputada, que é também vice-presidente da Associação das Senhoras Democráticas de Macau, concluiu que a inexistência de centros de dia de apoio a idosos e de creches onde as famílias possam deixar as crianças durante o dia, são dos problemas mais graves que afectam os agregados familiares de Macau. Na sua intervenção no PAOD, Iong lustrou a questão com a realidade da Ilha da Taipa, onde existem apenas quatro creches para quase 3500 crianças. “Segundo os resultados preliminares de 2006, a população da Taipa atinge as 65.585 pessoas, um aumento de 50 mil pessoas em comparação com o ano de 1996. Entre estas, 3444 são crianças entre os zero e os quatro anos, para apenas quatro creches da Ilha da Taipa, com apenas 358 vagas, não conseguindo, de modo algum, satisfazer as necessidades efectivas. Muitos pais estão a levar os filhos para as creches de Macau, o que só aumenta a pressão do trânsito bem como constitui um incómodo tanto para os pais como para os filhos”, lamentou a deputada.
Para fazer face e começar por minorar as carências, a senhora Iong sugeriu que as autoridades efectuem uma avaliação às estruturas sociais existentes, reforçando os recursos nos locais de maior carência com vista ao necessário aumento do número de asilos e creches. “Para alem do reforço de recursos, apela-se também ao Governo que reforce o seu papel fiscalizador através do investimento na fiscalização ao modelo da prestação desses serviços por parte das instituições civis”, defendeu.

Empregadores abusam da desonestidade

Ao Kam San, Leong Iok Va, Ng Kuok Cheong ‘levaram’ ao plenário a questão - recorrente para estes deputados - da importação de mã-de-obra estrangeira.
Au Kam San falou de “falta de honestidade de alguns empregadores” que trazem para Macau trabalhadores do continente com o único intuito de os explorar. Ng Kuok Cheong, companheiro de Au da Associação do Novo Macau Democrático, exortou o Governo a ter uma atitude “séria e activa” no reforço das medidas de defesa dos direitos dos trabalhadores. Ng disse que “embora o Governo tenha afirmado a fixação de um salário mínimo para os trabalhadores não residentes estes continuam a serem explorados, o afecta - indirecta e gravemente - os interesses dos trabalhadores locais. Como os próprios trabalhadores importados não sabem o valor do salário mínimo, são obrigados a trabalhar horas longas em troca de salários reduzidos, transformando assim o salário mínimo em super mínimo. Perante isto, como é que os trabalhadores locais conseguem concorrer com os não residentes?”, perguntou Ng Kuok Cheong. O deputado enumerou uma série de denúncias recentes entre empresários do mesmo ramo: “Recentemente, até os investidores que têm autorização para importar mão-de-obra apresentaram queixas, pois alguns empresários desonestos, detentores de grande quantidade de quotas, reduzem propositadamente os salários, criando assim situações de concorrência desleal(...) é indispensável reforçar medidas, pois só assim se poderá proteger eficazmente os interesses dos trabalhadores, e garantir a concorrência justa e leal”, considerou Ng Kuok Cheong

O último a sair que apague a luz

Pereira Coutinho voltou a chamar a atenção para o clima de medo que se vive na Função Pública. O deputado afirmou que a bajulação e a subserviência são alguns dos recursos usados pelo Governo para gerir a máquina administrativa :”Na minha vida profissional de cerca de vinte e tal anos nunca vi tamanha desgovernação, tanta incompetência, tanto abuso de poder e tanta infantilidade de um Governo. Nada mais nos resta senão aguentar os dias que faltam para que venha outro Governo pôr ordem na casa e acabar com a miséria e sofrimento dos trabalhadores da linha da frente que foram tantas vezes enganados e massacrados por este sistema de governação. Todos nós sabemos muito bem que para este Governo, continua actual o bom velho ditado que diz que ‘o último a sair que feche a luz.”
Pereira Coutinho concluiu solicitando que uma cópia da sua intervenção seja enviada ao Chefe do Executivo.


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AL aprovou Lei Tráfico Humano
Punir muito para além da prostituição

A Assembleia Legislativa aprovou na sessão de ontem a proposta de lei de combate ao tráfico humano apresentada pelo Executivo cujo objectivo é suprir lacunas na actual legislação e introduzir no Direito local obrigações decorrentes de instrumentos internacionais. Na proposta agora aprovada, composta de 11 artigos, é inserido o crime de tráfico de pessoas no Código Penal com um aditamento que “não apenas inclui o tráfico para o exterior, mas também o tráfico para o interior de Macau” e cuja redacção “teve em conta as mais recentes experiências legislativas do Direito Comparado com maior proximidade com a legislação local”, explica uma nota da AL. Com a nova “tipificação legal”, a legislação de Macau alarga o “âmbito de aplicação do crime de tráfico de pessoas, fazendo com que a finalidade do crime já não seja apenas para a prostituição, mas também passe a incluir outras actividades que sejam exercidas com fins de exploração sexual”. Por outro lado são também consideradas como crimes de tráfico de pessoas “actividades exercidas com o fim de exploração do trabalho ou dos serviços dessa pessoa, incluindo trabalhos ou serviços forçados, escravatura ou práticas análogas à escravatura”, de forma a dar cumprimento às obrigações decorrentes das convenções da Organização Internacional do Trabalho vigentes em Macau. Na proposta foi ainda incluída a criminalização do tráfico de menores com fins de exploração sexual, de exploração do trabalho ou dos serviços desses menores, refere também a nota, salientando que um dos alvos preferências do crime de tráfico de pessoas tem sido, além das mulheres, as crianças. Macau já saiu da lista norte-americana de vigilância especial de tráfico de pessoas depois dos Estados Unidos considerarem que a actual Região Administrativa Especial está a fazer esforços significativos no combate ao problema, como o reforço legislativo hoje aprovado. De acordo com o último relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre Tráfico Humano, divulgado no início deste mês, a revisão legislativa encetada por Macau para combater o tráfico de pessoas e a criação de um grupo multi-sectorial terão sido decisivos para o levantamento da vigilância especial. Macau ocupa agora o nível dois de vigilância, que inclui países e territórios que as autoridades norte-americanas consideram estar a efectuar um esforço para combater o problema e aplicar as normas definidas nas convenções internacionais adoptadas pela maioria dos países. A Polícia de Macau identificou em 2007 um total de 1.982 casos de tráfico de mulheres, a maioria das quais oriunda do continente chinês e apenas 24 estrangeiras.
A proposta do executivo foi aprovada na generalidade pelos 23 deputados presentes no hemiciclo. No entanto Pereira Coutinho pediu para que fosse votado em separado o número cinco, artigo 2º. O deputado votou contra tendo na sua declaração de voto manifestado “sentir tristeza”, e “lamentar” que a proposta ontem aprovada não tenha consagrado no nº 5 do artigo 153º-A aditado ao Código Penal, aprovado pelo Decreto-Lei nº 58/95/M, de 14 de Novembro, a punição da utilização dos serviços das vítimas de tráfico por quem disso tivesse conhecimento. “Esta punição está consagrada, por exemplo, no artigo 19º da convenção do Conselho da Europa relativa à luta contra o tráfico de seres humanos.” O deputado manifestou tristeza pelo que considerou ser um volte-de-face do Executivo em relação à primeira versão apresentada à Al: “A versão inicial do Governo incluía no nº cinco do artigo 153-A da proposta de lei a punição da utilização dos serviços das vítimas de tráfico, porém esta solução viria a desaparecer da proposta do Governo. Por este facto votei contra a redacção deste artigo”, explicou o deputado, lembrando ter ‘dado’ voto favorável quando na apreciação na generalidade da proposta de lei.”
O deputado terminou a sua declaração fazendo votos para que no futuro “não muito distante a lei possa vir a abranger a lacuna que acabo de citar e que merece ser atempadamente colmatada”, considerou Coutinho.

AV
com LUSA
Moradores da Taipa Pequena pedem investigação do CCAC
O Arco da discórdia

Um grupo de moradores da zona da Taipa Pequena está contra a construção das torres Windsor Arch, um mega projecto imobiliário de seis torres de 47 andares que acusam de serem de construção ilegal e prejudiciais ao meio-ambiente. O protesto seguiu ontem carta para o Chefe do Executivo junto com um pedido de investigação por parte do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC).
Os moradores falam de possível ilegalidade na aprovação do projecto e de violação à lei.
No final de uma conferência de imprensa realizada ontem para denunciar este caso, a advogada Sílvia Mendonça, mandatária da coordenadora da Comissão de Moradores (CM) disse tratar-se de uma violação do artigo 88 do novo regulamento geral da construção urbana. Os interesses que aqui se põem, e que se visa acautelar, são essencialmente interesses públicos. Quer em função do ambiente, quer em função de ter sido considerada aquela colina onde está a ser feita a construção zona paisagística e ponto-de-vista de Macau; quer porque põe em causa a iluminação das outras casas e do local.
António Saraiva, morador da Taipa e arquitecto Paisagista a residir há mais de duas décadas em Macau alertou para o feitos negativos de impacto ambiental que o empreendimento acarreta: “Além de influência na paisagem, há também influência na insulação e na ventilação. Sabemos que Macau é uma Região muito poluída, toda a região há volta de Macau está a ter numerosíssimas intervenções, e portanto o único vento que nos ajuda um pouco a limpar o ambiente é o vento que vem do mar, o vento do sul. Portanto o vento norte, geralmente, vem com o ar um pouco poluído. Logo, esta barreira que se irá construir, irá ter também influência negativa no aspecto da qualidade do ar.” Saraiva defendeu que Macau siga o exemplo da Inglaterra ou da Suíça onde os cidadãos têm uma palavra a dizer relativamente às construções.
A comissão de Moradores (CM), coordenada por Lam Fun O, mãe do empresário e deputado David Chow, garante que a altura do Windsor Arch – seis torres de 47 andares cada - não cumpre a lei, e assegurou que apenas estava prevista a construção de edifícios com cerca de 16 andares.
Em 2004 terá sido aprovado o actual projecto, mas segundo os moradores a concessão do terreno foi posterior a essa data. Lam pôs em dúvida a aprovação do projecto, afirmando que é difícil não associar este caso a um possível acto de corrupção e colisão de interesses. Por tudo isto, os moradores pedem uma investigação conduzida pelo CCAC.
Os moradores contam também com a solidariedade da deputada Kwan Tsui Hang que marcou presença na conferencia de imprensa convocada pelos moradores para denunciar este caso.
Obras de reordenamento do trânsito arrancam em Julho na Almeida Ribeiro
Prioridade aos peões
e transportes públicos


É já a partir Julho que o trânsito na avenida Almeida Ribeiro vai ser condicionado. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) veio dar a conhecer, numa conferência de imprensa realizada ontem à tarde, os pormenores das obras de reordenamento do trânsito naquela zona, num dia em que divulgou igualmente os
resultados das acções de consulta sobre o Projecto de Ordenamento e Optimização dos Serviços de Transporte Público de Passageiros de 2008, que recebeu, através de diversos meios, um total de 466 manifestações.
A DSAT revelou que 70% das sugestões ou opiniões registadas foram relacionadas com a preocupação em relação ao aumento de qualidade nos autocarros. Assim, a partir do inicio de Julho, a título experimental, aos fins de semana e feriados, o trânsito será condicionado no troço da Avenida de Almeida Ribeiro, compreendido entre a Rua Central e a Rua dos Mercadores, onde apenas os transportes públicos, designadamente táxis e autocarros, e ambulâncias e viaturas policiais e dos bombeiros poderão circular numa politica que a DSAT define como uma política de atribuição de prioridade aos transportes públicos.
Ainda na Almeida Ribeiro, terão início, igualmente a partir de Julho, obras que visam o alargamento da passadeira situada junto às instalações do IACM onde passará a haver semáforos e a criação de uma zona para tomada e largada de passageiros destinada aos táxis. Na conferência de imprensa, a DSATP esclareceu que para combater o aumento do número de veículos de transporte de passageiros que "entopem" o trânsito das Portas do Cerco e do Terminal Marítimo do Porto Exterior que circula entre o ZAPE e o centro da cidade, a Administração irá proceder ao reordenamento da zona para tomada e largada de passageiros para os veículos de transporte de passageiros de grandes dimensões localizadas junto destes postos fronteiriços. Assim, a partir de Agosto será implementado - na zona exclusiva para a paragem dos veículos afectos às unidades hoteleiras e de diversões (localizada junto das Portas do Cerco) - um plano de ordenamento que compreende sobretudo a alteração do acesso de entrada desta zona que é, actualmente, feito pela Rua dos Currais e que passará a ser feito pelo acesso de saída, desviando aqueles veículos para a Avenida do Comendador Ho Yin. A DSAT procederá, ao mesmo tempo, à instalação de grades metálicas e construirá, provisoriamente, uma passagem superior para peões para assegurar a ligação da circulação pedonal entre esta zona e o Complexo Desportivo das Portas do Cerco, separando, desta forma, o trânsito pedonal do rodoviário.
Os resultados da consulta pública mostram que 63% das opiniões estão contra a introdução dos serviços de mini-bus de 9 lugares, sendo a maioria esmagadora do sector de transportes, e muitos dos taxistas consideram que a implementação desta medida provocaria um grande impacto nos serviços de táxis, agravando ainda mais a falta de condutores. Na opinião dos profissionais deste sector, a implementação dos mini-bus sobrecarregará o trânsito viário e contribuirá para o aumento da poluição atmosférica.
Já os moradores dos bairros antigos consideraram que estes serviços permitirão colmatar as deficiências actualmente verificadas nos serviços dos autocarros assim como coadjuvaram os cidadãos na suas deslocações. Apesar das diferenças de opinião, existe, contudo, um ponto que é consensual: se a Administração decidir em introduzir os serviços de mini-bus, é preferível que o número de passageiros seja de 12 ou 14 e não de 9 como tem sido aventado. Uma questão que a Administração está, segundo a DSAT, a analisar, sendo que depois de ter definido em concreto o itinerário e as disposições em termos da sua exploração, irá consultar novamente a opinião pública.
Com o termo do contrato de concessões para os transportes públicos a aproximar-se - é já em Outubro - têm-se levantado algumas questões, mas, durante a conferência de imprensa de ontem, a DSAT garantiu que a Administração está a negociar com as duas concessionárias e virá, conforme o calendário estabelecido, concluir os trabalhos inerentes à continuação dos serviços dos autocarros, sendo que a introdução do mecanismo de atribuição de auxílio económico nas tarifa dos autocarros e de avaliação dos serviços prestados serão assuntos postos em cima da mesa.
Estas são medidas que vêm ao encontro das preocupações manifestadas na consulta pública, onde a maioria das opiniões incide sobre a qualidade dos serviços prestados pelos autocarros. Os resultados da consulta mostram que as queixas apontam sobretudo para as dificuldades em conseguir apanhar o autocarro, especialmente nas horas de ponta. Outras opiniões manifestam o descontentamento quanto à localização das paragens de autocarros e sobreposição de itinerários, tendo estes na sua maioria percursos pouco directos.
A DSAT destaca que devido à má qualidade nos serviços prestados pelos autocarros aproximadamente 95% das opiniões são favoráveis ao plano de optimização dos serviços de autocarros através da liberalização da concessão da exploração dos serviços, concordando ainda com a Administração na criação do mecanismo de avaliação da qualidade dos serviços prestados pelas concessionarias.
Situação em Hong Kong obriga a reforço da prevenção em Macau
Medidas de emergência
contra a Gripe das Aves


O Grupo de Coordenação para a prevenção da “Gripe das Aves” apresentou ontem medidas de emergência depois de terem sido detectados em diversos mercados de Hong Kong casos de vírus H5N1, tendo sido decidido o encerramento imediato de todas as bancas de galinhas dos mercados e respectivas lojas assim como o abate das restantes aves.
Ontem, numa reunião entre membros do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Serviços de Saúde e Gabinete de Comunicação Social, ficou decidido que, quando se verifique resultado positivo na análise do vírus (H5) PCR das amostras seleccionadas num local de venda de aves nos mercados ou na cidade, todas as lojas desse local de venda de aves onde seja detectado o vírus serão encerradas durante 7 dias e as aves vivas existentes serão abatidas e incineradas. Durante o período da suspensão da exploração, os funcionários desses locais serão sujeitos a observação médica. Passados os sete dias, depois de análises e avaliação dos serviços de fiscalização da higiene, se estiverem reunidas as condições necessárias, as lojas serão autorizadas a retomar a sua actividade com aves vindas, no mesmo no dia, do Mercado Abastecedor. A autoridade de fiscalização da higiene, de acordo com cada situação, tem poderes para prorrogar até 21 dias o prazo de suspensão da venda de aves vivas.
Entretanto, será reforçada a selecção de amostras ambientais nos mercados e locais de venda de aves espalhados pela cidade e proceder às análises para detecção do vírus H5. Do mesmo modo, será também reforçada a comunicação com os Serviços de Alfândega, no apoio ao combate às actividades de tráfico clandestino de aves, a fim de evitar a entrada de aves não inspeccionadas nos mercados e nos locais de venda de aves.
75 anos de prisão por prometerem
empregos em Macau


O Tribunal Regional de Manila, capital das Filipinas, condenou, esta quarta-feira, dois angariadores ilegais que prometiam empregos no ramo da restauração em Macau, a 75 anos de prisão. Carl Anthon Ortega e Alicia Ziganay estavam inicialmente acusados de recrutamento em grande escala e de terem recebido um total de 500 mil pesos filipinos de sete mulheres em 2002. Contudo, por apenas duas terem mantido a queixa, o Tribunal acabou por condená-los por recrutamento ilegal, depois de ter ficado provado que os dois cobraram a cada uma das duas queixosas 75 mil pesos filipinos para despesas relacionadas com a viagem e com o processo de legalização. Foi só depois de dois meses sem trabalho na RAEM, e de, na volta, ao exigirem a devolução do dinheiro que tinham pago apenas lhes ter sido devolvida uma parte da quantia inicial, que as duas queixosas avançaram com uma queixa para o departamento nacional de investigação. Além da pena de prisão, Anthon Ortega e Alicia Ziganay foram condenados a indemnizar as vítimas num total de 215 mil pesos.
Empresa inglesa compra edifício
de apartamentos em Macau


A empresa Speymill Macau Property Co. anunciou quarta-feira em Londres ter concluído um negócio de 132 milhões de dólares para financiar o desenvolvimento de um edifício residencial no sudoeste da península de Macau.
Em comunicado enviado ao Mercado de Investimento Alternativo (AIM, na sigla em inglês) da Bolsa de Valores de Londres, a empresa informou ter acordado adquirir 259 unidades do projecto a ser desenvolvido pelo grupo Companhia de Construção e Investimento Ho Chun Kei.
Ainda de acordo com o comunicado, 30 por cento dos 132 milhões de dólares serão pagos de imediato com o restante a ser entregue após a conclusão do edifício, o que deverá ocorrer em 2010.
A Companhia de Construção e Investimento Ho Chun Kei é um grupo com interesses tão diversos como a construção de imóveis e a sua gestão até à publicidade e restauração e entretenimento.
A Speymill Macau Property Company plc é uma empresa constituída na ilha de Man para investir no mercado imobiliário de alta qualidade de Macau.
“O Lago dos Cisnes”, pelo Ballet Real Sueco, a 27 e 28 de Junho no Centro Cultural de Macau
Amor encantado

A vinda do Ballet Real Sueco a Macau neste Junho marca a última actuação da sua digressão de 2008 pela China, sendo ainda a primeira vez que visita Macau

Certas histórias de amor conquistam-nos os corações para sempre. No ballet, o arquétipo supremo de um amor arrebatadora é, inquestionavelmente, O Lago dos Cisnes, que conta a história do príncipe Siegfried e da princesa Odette. Durante o dia ela é a Rainha dos Cisnes, mas à noite transforma-se em Odette, uma princesa que se encontra sob um feitiço que apenas será quebrado quando encontrar o verdadeiro amor. Os dois jovens juram fidelidade, mas a tragédia vestida de negro abate-se sobre eles... Depois de sofrerem várias peripécias, os amantes reencontram-se no lago, local do primeiro encontro, caminhando juntos o caminho da redenção.
A história romântica e os movimentos etéreos de O Lago dos Cisnes fizeram com que este se tornasse no mais lendário de todos os bailados. Todas as bailarinas desejam dançá-lo e todos os públicos querem vê- lo. Macau não é excepção, e por isso chegou a hora da cidade testemunhar esta emocionante história de amor com a música de Tchaikovsky, o compositor de excelência dos bailados clássicos.
A sua música apaixonante será tocada ao vivo pela Orquestra de Macau, que acompanhará a interpretação exemplar por uma das companhias de ballet mais prestigiadas e procuradas do mundo - o Ballet Real da Suécia. A quarta mais antiga companhia de ballet do mundo e a maior da Suécia estreia-se em Macau a 27 e 28 de Junho com toda a sua grandeza histórica e elegância, envergando novos figurinos nesta versão completa do inultrapassável clássico do ballet.
Fundado em 1773, o Ballet Real Sueco é uma das mais antigas companhias de ballet da Europa. Embora o público asiático possa estar pouco familiarizado com esta companhia, ela já colaborou com diversos coreógrafos e bailarinos de destaque na história do ballet, inclusivé com Filippo Taglioni, August Bournonville, Michel Fokine, Antony Tudor e Erik Bruhn, apenas para referir alguns.
Em termos artísticos, o Ballet Real Sueco é estilisticamente versátil, estando apto para representar dramas psicológicos e sendo capaz de apresentar bailados históricos e clássicos dramáticos, assim como bailados contemporâneos.
Desta feita, em Macau a companhia vai apresentar “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky - do repertório romântico clássico, no seguimento da readaptação de 1964 de Natalia Conus, que por sua vez se baseou na versão russa do par Petipa/Ivanov. “O Lago dos Cisnes” foi a primeira obra para ballet de Tchaikovsky, contudo esta apenas se tornou um sucesso em 1895, quando foi reposta como um bailado a quatro actos, conjuntamente coreografado por Petipa, director e também coreógrafo do 1o e 3o Acto, e Ivanov, que coreografou o 2o e 4o Acto. “O Lago dos Cisnes” tornou-se, desde então, um clássico.
Inspirando-se numa lenda alemã da Idade Média, “O Lago dos Cisnes” conta a história trágica de amor entre o Príncipe Siegfried e a Princesa Odette. Esta, enfeitiçada e transformada num cisne por um feiticeiro malévolo, encontra o corajoso Príncipe Siegfried. Após várias peripécias e lutas, o príncipe subjuga o mal e a princesa volta à sua forma humana para usufruir de uma vida feliz com o seu príncipe.
Em termos artísticos, o 1o e 3o Acto são uma mostra da técnica de dança, ao passo que o 2o e 4o Acto demonstram a coordenação entre música e dança. Devaneios campestres são cenas muito frequentes no ballet clássico e, como tal, o 1o Acto, que conjuga dança folclórica com um pas de trois e uma dança do bobo, claramente atesta estas nuances de dança folclórica e constitui uma demonstração de capacidade técnica,
O 3o Acto cumpre fielmente as regras do ballet clássico, fazendo sobressair a qualidade técnica da dança dos bailarinos principais no baile do palácio, através de uma sequência de danças entontecedoras com o carácter das danças Mazurka, Espanhola e Tarantella. A parte mais encantadora é o pas de deux de Siegfried e Odile, com a princesa de negro a encarnar a filha do barão pernicioso. Esta dança bem conseguida retrata sem reservas a donzela malévola e o príncipe encantado pelo cisne negro. Odile faz trinta e dois fouettés na final do pas de deux, que são movimentos do ballet clássico que requerem grande destreza técnica, e que ilustram o êxtase de Odile pelo triunfo sobre o príncipe.
O 2o Acto é provavelmente o melhor dos quatro actos. Tendo enveredado pelos sentimentos profundos do compositor para encarar a música, Ivanov criou uma coreografia quase sinfónica, e multi-estrutural. Em termos de composição, este acto é “uma peça dentro de uma peça”, com o seu próprio início e fim, e formando uma estrutura relativamente completa. A sequência da “Dança dos Pequenos Cisnes” ganhou considerável popularidade, tendo sido consagrada como um ballet sem igual. Os quatro pequenos cisnes dançam uma série de passos rápidos e subtis, pequenos saltos e pulos em pontas, dando vida à cena brincalhona dos cisnes no lago, e que claramente destaca o charme colorido da coreografia.
O 4o Acto culmina com o príncipe a ser ludibriado a quebrar a sua promessa. No grand pas de deux, o corps de ballet dos cisnes é fundido com o pas de deux das duas personagens principais e entrelaçado com a música para reflectir as transformações emocionais dos dois bailarinos principais. Isto não envolve técnica de grande nível, mas o uso de orquestração na coreografia, entrecruzando música e movimentos de dança, embeleza a carga emocional da história. Isto está argumentavelmente ao nível dos cânones sinfónicos e indubitavelmente é a quinta-essência da arte do ballet.
“O Lago dos Cisnes” é incontestavelmente uma pérola intemporal do ballet. Estou certa de que o Ballet Real Sueco vai apresentar ao público de Macau duas noites de grande prazer artístico, pois não só se vai poder apreciar o idílico e gracioso bailado, como se vai revisitar a música delicada de Tchaikovsky.

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