Leong Soi Weng foi jogador exemplo em Hong Kong
Novo treinador da selecção de Macau
vai preparar presença na Challenge Cup
Acabou a era dos treinadores japoneses para a selecção de futebol de Macau. Associação confirma contrato de Leong Soi Weng. A questão da língua terá sido fundamental para a mudança de estratégia. O novo técnico vai já começar a trabalhar para a Taça Challenge da Confederação Asiática, a realizar em Maio
Vítor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net
Será o primeiro teste para o mais recente treinador das selecções do território. Apenas com pouco mais de dois meses e meio de trabalho, Leong Soi Weng irá orientar a selecção principal do território na Challenge Cup, uma prova instituída pela Confederação Asiática de Futebol e destinada às formações de “segundo plano”.
Macau terá como adversários as selecções de Nepal, Cambodja e Paquistão. Será um torneio para dar ritmo competitivo internacional a países ou territórios que habitualmente não conseguem qualificar-se para as mais importantes provas a nível de continente asiático.
Depois disso, a RAEM só em 2009 terá outros compromissos além fronteiras para a sua selecção principal. Os Jogos da Ásia Oriental em Hong Kong e os Jogos da Lusofonia, em Lisboa.
O objectivo, segundo os dirigentes associativos e em particular o presidente Chong Coc Veng, é começar desde já a preparar as próximas competições internacionais e integrar elementos jovens numa equipa que tem já vivido, nos últimos tempos, da maioria dos jogadores da equipa de sub 21 que participa no campeonato da I Divisão.
“Mas há que dar ainda mais ênfase aos escalões inferiores do futebol do território”, disse o novo treinador das selecções, Leong Soi Weng, na apresentação oficial à comunicação social, num encontro que a Associação de Futebol de Macau pretende seja mais frequente, dando assim a conhecer aos jornalistas, os seus projectos a curto e médio prazo.
Escalões mais jovens
passam a prioridade
Chong Coc Veng e seus pares aproveitaram o “almoço de Primavera” com os media, para se colocar à disposição sobre assuntos “quentes” do futebol macaense, como sejam a intenção de “revolucionar a modalidade”, graças à entrada do novo técnico de Hong Kong, e a hipótese forte de concretização de um campeonato profissional.
Leong Soi Weng surge, assim, no “desporto rei” da RAEM, numa altura de grandes transformações. Mas, diz, querer preocupar-se essencialmente, com o desenvolvimento das camadas jovens:
“Penso ser esse o aspecto mais prioritário do futebol de Macau. A estrutura de base é a mais importante e o desenvolvimento dos escalões inferiores trará frutos no futuro. Mas é necessário investir forte. Os nossos objectivos, meus e dos dirigentes associativos, é de recuar na aposta de idades dos jovens, criando equipas a partir sensivelmente dos oito anos”, referiu Soi Weng.
Treinadores locais
chamados a colaborar
Segundo as informações transmitidas no decorrer do contacto com os jornalistas, é intenção da equipa de Chong Coc Veng e Vitor Lap Cheong, os dois homens fortes da Associação de Futebol de Macau, criar estruturas fortes para que os jogadores de mais tenra idade possam progredir.
“Para além de apostarmos na selecção principal, como é lógico, iremos privilegiar com maior incidência, os escalões de jovens atletas, para que no futuro se possa “refrescar” a selecção com novos valores. Para isso, o nosso novo técnico irá supervisionar toda a actividade das selecções, nomeando, a curto prazo, treinadores locais para as respectivas equipas, a partir dos sub 8 até aos seniores”, palavras de Chong Coc Veng.
“Terá de haver um maior entendimento entre as estruturas do futebol em Macau, que parece não existir há vários anos. Os treinadores, têm de ter uma ligação mais estreita com o órgão associativo. Queremos empenhá-los mais e a intenção é distribui-los pelas selecções de categorias jovens”, salientou Leong Soi Weng, que reconhece qualidades nos técnicos da casa, “que muito poderão ajudar ao desenvolvimento que se pretende”.
Há bons valores em Macau,
é preciso condições
O novo treinador de Macau, de 50 anos e uma antiga vedeta do futebol de Hong Kong (jogou durante vários anos no Happy Valley e oito consecutivos na selecção de Hong Kong, na posição de libero), diz não ter dúvidas de que Macau tem bons valores, “mas é necessário dar-lhes condições de trabalho e acima de tudo apostar nas suas capacidades desde uma idade mais recuada.”
Por aquilo que se ouviu dos membros da Associação de Futebol de Macau, esta fase é de transição, ou seja, “chegou a altura de se tentar fazer uma revolução no futebol macaense, sob pena de se perder constantemente o comboio, face a outros países ou regiões, em especial no continente asiático.”
Daí que Chong Coc Veng e seus pares tenha apostado no projecto de contratar um treinador da vizinha região administrativa.
“Hong Kong tem um nível superior ao de Macau e por isso poderemos tirar partido disso, sem um investimento elevado. E um dos aspectos de maior importância é, sem dúvida, o facto deste nosso novo treinador das selecções comunicar de forma muito mais fácil do que tinha acontecido nos últimos anos com os técnicos vindos do Japão. É que a esmagadora maioria dos jogadores fala chinês, o que pode realmente facilitar o trabalho de desenvolvimento.”
Federação Japonesa irritada
com atitude da RAEM
O presidente associativo não se quis alongar muito na questão do “ponto final” aos treinadores japoneses, depois do trabalho aqui feito por Ueda, Imai e Kageyama. No entanto, segundo apurou o PONTO FINAL, um quarto nipónico, Koji, treinador das camadas jovens do Shimizu S-Pulse, só não terá assinado contrato porque “exigiu” a contratação de um intérprete. Koji também não tinha muita fluência no inglês.
Os dirigentes da Associação de Futebol de Futebol não se mostraram disponíveis para aceitar o pedido de Koji e a vinda do japonês acabou por se gorar, não obstante o treinador se ter deslocado a Macau para “sentir o pulso” ao futebol macaense e apreciar as infra-estruturas.
A atitude (rejeição da proposta de Koji), dos membros associativos terá caído mal na Federação Japonesa de Futebol, que durante todos estes últimos anos se tem disponibilizado para resolver os problemas do futebol da RAEM, indicando treinadores com qualidade.
Koji tinha já declinado vários convites no Japão, apostando no projecto de Macau, acabando por ficar “desempregado” depois do insucesso das negociações, que pareciam praticamente definidas.
Com todo este processo, a Federação Japonesa terá mostrado “alguma irritação”, dando a entender que Macau não contaria mais com a boa vontade dos seus membros. Koji foi, entretanto, integrado nos quadros federativos do Japão, ocupando-se de categorias inferiores.
Projecto da Superliga
é mesmo para avançar
É assim uma nova era (forçada?...) do futebol do território, que até pode acabar por dar resultado, naquele pormenor (que não deixa de ser importante) da língua ser acessível a todos os jogadores.
Leong Soi Weng assinou para já um contrato por um ano, mas é intenção de Chong Coc Veeng e seus companheiros de direcção, prorrogar a ligação para ao futuro, depois desta experiência dos próximos meses, que esperam dê frutos.
Recorde-se que esta mudança radical nos projectos de selecção, acontece também numa altura em que a Associação de Futebol de Macau, juntamente com o Instituto de Desporto, pretende introduzir, pela primeira vez, uma Superliga profissional.
Chong Coc Veng disse ao PONTO FINAL que esse é um desejo antigo:
“É um dos nossos sonhos, que pretendemos ver concretizado a curto prazo. O mercado empresarial de Macau está a crescer e penso que o futebol pode disso tirar partido. Há empresas já interessadas em apoiar o nosso projecto, mas vamos à procura de mais, uma vez que queremos iniciar um campeonato profissional com pelo menos seis equipas.”
Pode haver novidades dentro de algumas semanas, uma vez que a AFM aponta para final deste ano ou primeiros meses de 2009, como data para se arrancar com a prova. “Ou pelo menos ter já ideias definidas para se começar o mais rapidamente possível.”
Certo é que o “futebol amador de Macau” irá continuar como até aqui.
Depois de algum descanso dado à relva, as competições vão já reiniciar-se nos dias 1 e 2 de Março, com mais uma eliminatória da Taça. Jogos Kuan Tai-Ip U, Hong Ngai-Lam Pak, Monte Carlo-Vá Luen e Alfândega-Heng Tai, no Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia.