Mostrando postagens com marcador Nº 1486 - Segunda-feira 25 de Fevereiro de 2008. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nº 1486 - Segunda-feira 25 de Fevereiro de 2008. Mostrar todas as postagens

25.2.08

Deputado sugere financiamento através dos lucros da concessão e exploração de terrenos
Ng Kuok Cheong propõe
fundo para habitação social


Ng Kuok Cheong acredita que o Executivo está determinado a construir unidades de habitação social, mas ficou insatisfeito com as afirmações do Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, que foi à Assembleia Legislativa na última quarta-feira responder às interpelações dos deputados.
O deputado dirigiu novo documento escrito à Administração, acusou a subida crescente do preços das casas e referiu que o novo subsídio atribuído pelo Governo na compra da primeira casa agudizou as preocupações dos residentes.
O deputado destacou que a promessa política de construção de 19 mil casas sociais antes de 2012 está já a ficar aquém das expectativas. E instou o Governo a criar mecanismos eficazes para resolver o problema da habitação em Macau como a criação de um fundo de desenvolvimento para as residências sociais, através dos lucros da concessão e exploração de terrenos. A sugestão, defende, poderia resultar na criação de 40 mil casas sociais, travar a especulação imobiliária e a subida dos preços de mercado.
Ng Kuok Cheong alerta que o subsídio na compra da primeira casa é visto pela classe mais carenciada como um incentivo à procura de apartamentos de luxo e uma forma de o Executivo diminuir as suas responsabilidades de acção social. O deputado recordou que, já em Abril de 2007, Edmund Ho anunciou uma série de propostas para aliviar as dificuldades dos cidadãos. Porém, ainda não há um calendário definido para as pessoas que estão em lista de espera para ter acesso às habitações sociais ou económicas.
O representante da Associação Novo Macau Democrático deixou ainda o exemplo do plano de construção entre três a quatro mil apartamentos sociais no bairro da Ilha Verde, que ainda não saiu da gaveta. Não se sabe também, continua, se o Governo já ordenou ao dono do terreno o arranque do projecto ou se a terra já foi devolvida à Administração que dará início às obras.
O democrata recuperou também o caso do parque industrial da Concórdia, em que mais de 150 metros quadrados pertencem ao Executivo e onde poderiam ser construídas, pelo menos, 20 mil habitações sociais, ilustrou. Ng Kuok Cheong pede, assim, a revisão da exploração do terreno por forma a responder às necessidades da população.
Novo Macau Democrático
com poucas expectativas


A Associação Novo Macau Democrático saiu ontem à rua de microfone na mão e cartazes expostos no Largo de São Domingos. O objectivo era divulgar os planos de reforma política no sentido da democratização, e lembrar à população a promessa de Edumd Ho em realizar uma auscultação pública. O acto foi complementado com o envio de uma petição por parte do deputado Au Kam San, visando as mesmas questões.
O deputado Ng Kuok Cheong, no entanto, manifestou-se céptico quanto a uma eventual tomada de posição ao longo dos próximos meses. De acordo com Ng Kuok Cheong, o Executivo está muito fragilizado desde o julgamento de Ao Man Long, e não deverá optar por discutir um assunto como este, que precisa do apoio do Governo Central.
O deputado aproveitou a praça pública para divulgar aos transeuntes a proposta que a associação vai apresentar esta semana na Assembleia Legislativa, pedindo que os rendimentos de altos cargos políticos sejam tornados públicos. Também em relação a esta iniciativa o deputado mostrou pouco entusiasmo, duvidando que a proposta seja aprovada.
Chefe do Executivo promete apoio “a curto prazo” para mais carenciados
Edmund Ho quer diminuir custo de vida

O Chefe do Executivo, Edmund Ho, anunciou a criação de medidas de apoio para ajudar a população carenciada e de baixos rendimentos a responder à subida da inflação. O plano foi revelado na última sexta-feira, mas ainda não há um calendário. Será “a curto prazo”.
Durante o discurso na recepção da primavera da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (evento que coincidiu com a comemoração dos 24 anos da instituição), Edmund Ho reconheceu que “nos últimos anos a inflação tem-se tornado num grande desafio para a população, tal como para a própria implementação das medidas de governação”, lê-se na nota do Gabinete de Comunicação Social. As dificuldades da Administração em dar resposta à subida dos preços dos bens de consumo, continuou, poderão ser colmatadas com maior diálogo junto das associações comunitárias. As opiniões recolhidas serão úteis para o Executivo diminuir “o custo de vida da população através do controlo directo dos impactos negativos da inflação”.
Ficou ainda prometida a optimização dos equipamentos comunitários e o reforço da qualidade de vida em Macau. A acção social, avançou, terá como ponto de partida os bairros comunitários para chamar a população a participar na definição de medidas políticas. O canal de comunicação será feito através da criação do Conselho Consultivo Sobre os Serviços Comunitários, “um bom mecanismo para reflectir e tratar atempadamente as opiniões e problemas da população”, anunciado nas Linhas de Acção Governativa para 2008.
As condições de trabalho e profissionalismo dos funcionários dos serviços sociais serão desenvolvidas. Edmund Ho destacou também a importância dos trabalhadores da acção social na comunidade.
Leong Iok Wa quer revisão
dos serviços de apoio a idosos


Leong Iok Wa critica o Serviços de Saúde por não terem sido capazes de apresentar um plano contingente de apoio à terceira idade durante a vaga de frio que atingiu Macau. A deputada, numa interpelação ao Governo, recuperou os casos de 37 idosos que morreram nas urgências do Hospital Conde S. Januário entre 28 de Janeiro e 10 de Fevereiro e pede a revisão e optimização dos serviços de geriatria.
Leong Iok Wa ressalva que, apesar dos Serviços de Saúde terem referido que a taxa de mortalidade na terceira idade se manteve igual à do ano passado, e que o falecimento dos idosos resultou de causas naturais, a Administração tem obrigação de conseguir prever as ameaças à saúde dos idosos que vivem sozinhos. A deputada destacou que o frio representa um perigo importante para a terceira idade, uma vez que está mais sujeita a apanhar doenças e tem o sistema imunitário mais debilitado. O cenário, continua, poderia ter sido previsto porém não foi criado um plano de emergência para a situação, acusa. As criticas são também dirigidas ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças que não deu, entende, uma resposta atempada às necessidades dos idosos.
Manuel Neves aguarda relatório da PJ
Inspector da DICJ disparou
para o ar à porta de discoteca


Sónia Nunes

Um funcionário da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) terá disparado um tiro para o ar, à saída da discoteca DD3, na Doca dos Pescadores, na madrugada de ontem. Não houve feridos e na origem do incidente terá estado uma disputa que envolveu mais três indivíduos. O relatório da Polícia Judiciária deverá chegar hoje ao gabinete de Manuel Neves que pondera a abertura de uma investigação interna.
“Vamos ver se se justifica a DICJ fazer mais averiguações ou não. Tudo depende do que a PJ nos comunicar”, afirma o director Manuel Neves. Há, para já, dois cenários possíveis: a abertura de um processo disciplinar por incumprimento dos deveres dos trabalhadores da função pública, ou o arquivamento do caso, se for provada a tese da legítima defesa, avalia. Porém, fica já feita a ressalva de que, se o disparo ocorreu “fora da hora de serviço, não tem nada que ver com o desempenho das funções”, destaca o director da DICJ.
Segundo as investigações preliminares, o inspector da DICJ terá feito uso da arma para defender um amigo macaense que estava a ser agredido. O incidente ocorreu por volta das 6h00 de ontem, à saída do clube nocturno DD3. A notícia surgiu logo pela manhã no canal chinês da Rádio Macau, e foi reproduzida em Hong Kong. De acordo com as informações, a PJ interceptou também um indivíduo tailandês, que terá estado envolvido no caso, e uma mulher que não apresentou identificação às autoridades. Ainda não se conhecem os motivos que conduziram à violência: a PJ continua com as investigações.
De acordo com Manuel Neves, o inspector tinha licença de uso e porte de arma de defesa, ao abrigo da antiga lei que concedia o direito ao pessoal do quadro responsável pela inspecção do jogo, “em condições a apreciar caso a caso”. A lei nº12/77/M foi revogada em 2003 e os novos funcionários já não podem obter licença de uso e porte de arma. “Mas os que já requerem, nos termos da lei anterior, puderam continuar a ter esse direito”, destaca o director.
Sobre o incidente de ontem, Manuel Neves não faz mais comentários: “Não sei o que se passou, nem conheço as circunstâncias. Vamos aguardar pelas informações da PJ”, rematou.
Receitas do Governo
cresceram 37 por cento em Janeiro


Em Janeiro, o Governo de Macau recebeu 3.962 mil milhões de patacas em impostos, um aumento de cerca de 37 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a agência de notícias Xinhua, as últimas estatísticas mostram que a maior parte deste montante vem da indústria do jogo, que viu um aumento de 30,9 por cento em relação a Janeiro de 2007, ultrapassando as três mil milhões de patacas.
Ainda segundo a Xinhua, o último relatório da filial de Macau do Banco da China, divulgado na passada sexta-feira, sustenta que, graças ao desenvolvimento da indústria do jogo e do turismo, e devido aos investimentos de grande montante, Macau deverá manter um crescimento de 13 por cento em 2008, um índice mais baixo do que os 27 por cento do ano passado.
Lao Pun Lap a favor
da indexação da pataca


O deputado e economista Lao Pun Lap, director da Associação das Ciências Económicas de Macau, considera que desindexar a pataca do dólar de Hong Kong não é uma medida eficaz para combater a inflação. Em declarações ao jornal Ou Mun, o economista adianta que isso poderá ter repercussões na economia de Macau e na estabilidade do sistema fiscal. Uma das razões, aponta, é que muitos dos negócios fechados em Macau são fechados em dólares de Hong Kong, para além de que metade do investimento externo vem do território vizinho, e que a circulação de patacas é bem mais reduzida do que a de dólares de Hong Kong.
Depois do Chefe do Executivo, Edmund Ho, ter dito que iria definir medidas para reduzir os efeitos da inflação na população, Lao admite que a pressão do aumento dos preços em Macau é uma reacção ao fornecimento instável de produtos, nomeadamente de frescos. O economista entende que o Governo deve fazer uma consulta alargada aos vários sectores da sociedade e encontrar medidas flexíveis para ajudar a população mais carenciada, nomeadamente a nível de subsídios.
Inspecção de Jogos dá razão à Las Vegas Sands
Irmã de funcionário do Venetian
sem direito a prémio


Sónia Nunes

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) negou o pagamento de um prémio de mais de um milhão de patacas, atribuído numa das “slot machines” do Venetian, a uma irmã de um funcionário da operadora. A decisão argumenta que o dinheiro não é uma recompensa de jogo mas de uma promoção vedada aos familiares dos trabalhadores do casino e que a queixosa tinha obrigação de conhecer as regras da casa.
“Não discuto se é justo ou injusto. Violou-se uma regra. Não podíamos ter outra opção. O regulamento foi previamente apresentado à DICJ e aprovado, tal como acontece em todas as campanhas das operadoras. É uma regra ‘standard’ e aplica-se em todo o mundo: se não for cumprida, pode haver um conluio entre trabalhadores, familiares e amigos ”, alerta o director da DICJ, Manuel Neves.
O comunicado da Inspecção de Jogos explica que o regulamento para a promoção que teve como vencedora a irmã de um funcionário do Venetian, se destinava aos membros do “Cotai Rewards Club” e que as regras foram aprovadas pelo gabinete em Dezembro do ano passado e amplamente divulgadas. “As regras estavam afixadas em dez pontos da sala. Posso acreditar que ela não as tenha lido, mas não pode alegar que não foi informada”, sublinha o director da DICJ. Por outro lado, continua, o panfleto entregue aos sócios do clube apesar de não fazer referência ao impedimento dos familiares dos empregados do casino na participação da promoção pede que os jogadores recolham mais informações junto da operadora. Tang Si Wan tinha assim “obrigação” de saber que “os empregados e agentes da Venetian bem com os seus familiares são inelegíveis para participar na referida promoção”, argumenta a DICJ.
Porém, a queixosa contrapõe que aquando da inscrição no Cotai Rewards Club ninguém da Las Vegas Sands questionou as relações familiares com o funcionário do casino. “Para ser sócia pode ser familiar. Agora, não podia participar naquela promoção. Quando o Banco da China ou a CTM fazem qualquer promoção também não o permitem. É para garantir a integridade da campanha: a participação de familiares pode conduzir a falcatruas. Isso aplica-se não só à Venetian, como à Sociedade de Jogos de Macau ou MGM. É tudo igual”, reitera Manuel Neves.
No comunicado, a DICJ conclui que o prémio de cerca de 1,08 milhões de patacas não é de jogo e que “a aquisição do direito a este prémio promocional depende não só do acto de jogar nas ‘slot machines’ afectas à promoção, através do cartão do Cotai Rewards Club, mas também da elegibilidade para participar na promoção”. Tang Si Wan ficou impedida de receber o montante por não poder ser considerada jogadora legítima.
Tang, na queixa que apresentou na passada segunda feira na Inspecção de Jogos, argumentou ainda que a Las Vegas Sands nunca se tinha recusado a pagar prémios de menor dimensão, apesar de poder confirmar o parentesco. A excepção terá que ver com o montante reduzido dos prémios anteriores. “Não se pede identificação nos prémios de 30 patacas. Neste caso, o prémio era grande, seria divulgado na imprensa, e havia uma cerimónia de atribuição. A senhora teve que se identificar. E o irmão desempenha um alto cargo, é gerente. Tinha obrigação de saber as regras”, conclui Manuel Neves. O director acrescenta ainda que Tang pode recorrer da decisão da DICJ junto dos tribunais.

CAIXA
Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar
querem mais divulgação das regras


O presidente da União Geral dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar, João Bosco Cheang defende que os regulamentos internos dos casinos sejam melhor divulgados.
Em declarações ao jornal Va Kio, Cheang comentou o caso da irmã do funcionário do Venetian que não pode receber o prémio da promoção, admitiu que cada operadora de jogo tem as suas regras, mas que era necessário divulgar melhor as regras, de modo a evitar a ocorrência de casos semelhantes. Cheang sugeriu ainda que os casinos listassem todas as suas normas em locais acessíveis aos clientes.

CAIXA
Jogadores queixam-se todos dos dias

O litígio entre operadoras e jogadores é comum e deve ser tido como normal, defende o director da Direcção de Coordenação e Inspecção de Jogos, Manuel Neves que espera que a revisão da Lei do Jogo torne mais clara a aplicação das normas.
“Não é falta de competência. É normal estas coisas acontecerem, com a frequência que os casinos de Macau estão a ter. Todos os dias recebemos queixas dos jogadores, umas com razão, a maioria sem razão”, afirma Manuel Neves. O director deixou o exemplo de um jogador no Venetian que alegou falta de tempo para trocar as fichas de jogo e fez a aposta com um dedo. A escolha foi certeira e o indivíduo reclamou o prémio. “Houve uma senhora que entrou num casino e tropeçou. Foi reclamar junto da inspecção a dizer que o chão estava escorregadio e não havia um aviso. Queria uma indemnização. São queixas deste género”, ilustra.
Manuel Neves destaca que as reclamações relativas ao não pagamento de prémios por parte as operadoras são reduzidas e recordou os casos da mulher que ganhou um jackpot numa slot machine que não estava operacional e o da menor que apostou e venceu no Sands. Nos dois casos, a DIJC decidiu a favor das empresas de jogo. “As leis não podem prever tudo, mas à medida que as coisas vão acontecendo, vamos tentar melhorar e clarificar as regras. A Venetian já foi alertada para ser mais cuidadosa na divulgação das regras”, acrescentou.
Cerca de um quarto da população activa de Macau
Jogo emprega mais de 70 mil

Segundo João Bosco Cheang, presidente da União Geral dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar (UGTJFA), os funcionários deste sector já ultrapassaram os 70 mil, constituindo actualmente um quarto da população activa de Macau. O responsável considera mesmo que, a curto prazo, o número deve atingir os 100 mil.
Este sábado, num encontro com representantes do Instituto de Acção Social, a associação dos trabalhadores do jogo levaram a cabo mais uma iniciativa que visou promover a prevenção do uso de drogas e do vício do jogo.
Em declarações ao jornal Va Kio, Cheang afirmou que o sector do jogo tinha um grande contributo na economia de Macau, e, nesse sentido, era necessário ter uma maior preocupação quanto aos impactos sociais da indústria.
Nos últimos tempos têm-se avolumado os casos de jovens funcionários de casinos envolvidos em crimes, de uso de drogas e de comportamentos de risco em relação ao jogo. Para Cheang, se estes problemas não tiverem uma solução prevista, vão trazer graves consequências na qualidade de vida da população e no desenvolvimento do mercado de trabalho.
João Bosco Cheang admitiu que a UGTJFA está muito preocupada com o desenvolvimento saudável do pessoal dos casinos e, por isso, está a tentar promover acções de tempos livres dos funcionários. As actividades, designadas de "Vida Saudável" ou "Partilha de uma Vida Humana Rica", passam por seminários, competições desportivas, "Dia da Família" e também um concurso de fotografia.
Estudos geológicos da ponte que ligará Macau, Zhuhai e Hong Kong começaram
Financiamento será discutido no final do mês

O estudo geológico para a ponte entre Macau, Hong Kong e Zhuhai começou no passado sábado, desenvolvido pela empresa China Zhongtie Major Bridge Reconnaissance and Design Institute. Este estudo marca o arranque dos trabalhos depois de, na passada semana, ter sido anunciado o entendimento entre as três partes relativamente a um projecto que conta já 20 anos.
No entanto, de acordo com o Guangzhou Daily News, a questão que tem gerado maior controvérsia - o financiamento - só será decidida no final deste mês, durante a oitava reunião entre representantes de Macau, Hong Kong e Zhuhai.
Já existe um pré-acordo, mas ainda há questões em debate. O jornal da província chinesa cita Zhu Yongling, director do gabinete de coordenação do projecto, dizendo que os três lados têm de pagar "proporcionalmente" os benefícios que tirarão da nova ponte, acrescentando também que Hong Kong terá uma larga fatia das benesses e, por isso, terá que arcar com uma fatia maior dos custos. O custo total do projecto deverá rondar os 40 mil milhões de renmimbis. A maior parte do investimento estará, no entanto, garantida por empresas da China Continental, que tentarão atrair outros investidores privados dos três territórios, diz o Guangzhou Daily News.
Segundo um estudo das autoridades do Continente, divulgado este fim-de-semana pela imprensa chinesa de Macau, Macau ficará com dez por cento dos benefícios económicos da ponte, Guangdong terá 26 por cento e os restantes 64 por cento beneficiarão Hong Kong.
Neste âmbito, o South China Morning Post cita Wong Kwok-Kin, representante da RAE vizinha na Assembleia Nacional Popular, dizendo que Hong Kong devia rever os benefícios da ponte proposta antes de acordar a quantia a pagar. "Depois de tantos anos de atraso, a importância da ponte já é mais pequena", admite.
Quando o problema do financiamento estiver resolvido, no final deste mês, espera-se que o processo acelere, segundo o Guangzhou Daily News. Nessa altura. ter-se-á de lidar com outras contingências, nomeadamente o tipo de veículos que poderão passar pela ponte, já que poucos têm matrículas duplas.
O empresário Gordon Wu, o 'inventor' da ponte, disse ao jornal de Hong Kong que Pequim está a considerar a ideia de deixar veículos não licenciados passarem a ponte, se fossem construídos parques de estacionamento para os condutores poderem depois utilizar os transportes licenciados em cada território. A mesma publicação diz que um porta-voz do Transport and Housing Bureau admitiu que os três governos iriam discutir o assunto brevemente.
Outras matérias, como a questão ambiental e a defesa na navegação no Delta do Rio das Pérolas, foi gerida através do design da estrutura que terá a forma de um Y. Com 36 quilómetros, a ponte terá duas ilhas artificiais e um túnel, ligando-as. Assim, o projecto permitirá manter os petroleiros de 300 mil toneladas no Delta, bem como reduzir os impactos da estrutura no habitat dos golfinhos brancos, que ainda se encontram nas águas chinesas.
Novo Terminal do Porto Interior
arrancou “sem sobressaltos”


O Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior começou a funcionar na passada sexta-feira. O novo local de embarque substituiu o cais Yuet Tung e viu a primeira embarcação arrancar rumo à Ilha da Lapa dentro da normalidade.
O primeiro dia de operações “de um modo geral, correram sem sobressaltos e o processamento dos passageiros, através da alfândega, decorreu bastante bem”, observou a directora da Capitania dos Portos, Susana Wong, durante a visita de inauguração da ponte-cais nº11-A, segundo o comunicado oficial enviado à imprensa.
As rotas no terminal marítimo mantiveram as mesmas travessias do antigo cais Yuet Tung – entre Macau, Shekou (Shenzhen), Jiangmen e Ilha da Lapa – e não se registou um acréscimo no número de passageiros no primeiro dia de funcionamento. O novo cais de embarque tem capacidade para receber três embarcações, numa área total de 900 metros quadrados, e mais balcões de atendimento.
De acordo com o mesmo comunicado oficial, os utilizadores do cais “necessitam de mais tempo para se adaptarem às novas instalações” e aos serviços da operadora do terminal. Na fase inicial das operações, haverá assim um reforço no número de pessoal técnico do local para prestar apoio aos passageiros. Será também “feito um aperfeiçoamento constante, tendo em conta as necessidades, de modo a assegurar o funcionamento normal” do cais marítimo.
Operação de charme asiático a empresários brasileiros em São Paulo
Câmara Brasil-China sugere
investimento em Macau


O presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Económico (CBCDE), Paul Liu, disse a empresários brasileiros quarta-feira em São Paulo que Macau é o local ideal para quem pretende entrar no mercado chinês.
"Em Macau, o brasileiro tem uma vantagem", apontou Liu, sublinhando a facilidade de investir num local onde uma das línguas oficiais é o português e que é considerado uma plataforma de integração da China com o mundo lusófono.
As declarações do presidente da CBCDE foram feitas durante uma palestra na CBCDE para apresentar Macau aos brasileiros.
"O encontro surgiu a partir de pedidos dos associados, que queriam saber mais sobre Macau", disse à macauhub o presidente da CBCDE.
Durante cerca de uma hora, Paul Liu mostrou aos participantes dados sobre o crescimento e a economia da Região Administrativa Especial, com o intuito de motivar os empresários brasileiros a procurar negócios em Macau.
Entre os cerca de 20 empresários presentes estavam representantes dos sectores alimentício, bancário, odontológico, de comércio exterior, eventos, advocacia e transportes, entre outros.
Os empresários brasileiros fizeram perguntas sobre custo da mão-de-obra, impostos e burocracia em Macau.
Paul Liu considera que, apesar de todas as facilidades oferecidas pelo Governo de Macau, a presença dos brasileiros no território ainda é muito pequena.
"O brasileiro nunca foi muito voltado para explorar lá fora, acha melhor ficar por aqui e, com isso, perde muitas oportunidades", acredita o presidente da CBCDE.
Entre as oportunidades destacadas está uma oferta feita pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que colocou à disposição dos brasileiros, por meio da CBCDE, salas para serem utilizadas como escritórios por seis meses.
Destacou ainda que a Câmara decidiu incluir, desde 2007, uma visita a Macau em todas as missões empresariais que levar à China.
Segundo Paul Liu, em 2008 a CBCDE organizará "quantas missões forem necessárias" para a China, estando já programadas viagens para feiras sectoriais, como a de Cantão e a Sial China 2008.
Entrevista com Moisés Silva Fernandes, presidente do Instituto Confúcio de Lisboa
Estudos da China são "grande desafio
para a universidade portuguesa"


Moisés Silva Fernandes, investigador que Macau conhece de diversos estudos sobre Macau e a China, fala pela primeira vez sobre o seu lugar de director do Instituto Confúcio em Lisboa. Mas promete continuar a estudar Macau

João Paulo Meneses
putaoya@hotmail.com

Há um ano era anunciada criação do segundo Instituto Confúcio (ICO) em Portugal, fruto do empenho do reitor da Universidade de Lisboa, e aproveitando a visita de José Sócrates à China. Cerca de nove meses depois surgiu o nome de quem o irá liderar. E a escolha surpreendeu. Não que não se reconheçam muitas qualidades ao novo director, Mas porque o escolhido é conhecido sobretudo por ser um investigador. Moisés Silva Fernandes tem-se destacado nos últimos anos na área dos estudos chineses, ligando as relações de Portugal com a China e Macau. O próprio reconhece alguma surpresa. Aceitou, ainda que isso signifique atrasar alguns dos seus projectos como pesquisador. E surpreendeu, porque o ICO destina-se mais à promoção da língua chinesa (também da cultura), ainda que possa abarcar outras áreas.
Se o Instituto Confúcio em Lisboa tem um ano, a verdade é que está ainda em instalação, preparando-se para arrancar mal cheguem as duas especialistas contratadas na China. Moisés Silva Fernandes conta nesta entrevista ao PONTO FINAL quais os seus planos e explica por que é que aceitou o convite do reitor Sampaio da Nóvoa.

PONTO FINAL – O que é o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa nesta altura?

Moisés Silva Fernandes – Uma parceria entre a Universidade de Lisboa (UL) e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin (UEET), que se encontra neste momento em fase de instalação. A parte do Edifício C7, aonde estava antigamente a Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e que já está a servir de instalações para o nosso instituto, foi completamente renovada e foram instalados equipamentos novos. Por outro lado, foi colocado na Internet um portal trilingue, em inglês, português e chinês, com informações básicas, que pode ser consultado na seguinte morada electrónica: www.confucio.ul.pt. Estamos a recrutar pessoas para trabalharem connosco e ficou recentemente concluído o processo de concessão de vistos para que duas professoras da UEET possam vir trabalhar connosco [Xiaoqiu Kang, professora associada na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tianjin, especialista no ensino do inglês como segunda língua, e Jiangmei Wang, da mesma Universidade, especialista no ensino do português a chineses].


Só está em funções (nomeado pelo menos) desde Novembro; qual tem sido o seu trabalho desde então?

Planear e executar as tarefas associadas com a instalação do Instituto, mencionadas na resposta anterior, com o intenso apoio da Reitoria. Gostaria, desde já de destacar o especial apoio e acompanhamento que me tem sido dado pela Professora Doutora Maria Amélia Martins-Loução, Vice-Reitora para a Relações Internacionais, e o Doutor Tomás Patrocínio, Director dos Serviços de Relações Externas da Universidade de Lisboa.

O que pensa que se conseguirá no próximos meses? Qual é o vosso público mais imediato?

Dar início às nossas actividades quando chegar a Vice-Directora [Xiaoqiu Kang] e a Leitora de língua e cultura chinesas [Jiangmei Wang]. O nosso interesse é começar a oferecer cursos de língua e cultura chinesas, promover um ciclo de conferências e realizar duas exposições.
O nosso público imediato são os estudantes do ensino superior, em particular, e o público, em geral, interessados em aprofundar os seus conhecimentos sobre a China.

Dois ICO para já

Já existe um outro Instituto em Portugal; terão algum tipo de relação?

Espero bem que sim. Aliás, quando a delegação da Universidade de Lisboa esteve em Pequim para participar no II Encontro de Institutos Confúcio, no passado mês de Dezembro, tivemos a oportunidade de conhecer e trocar experiências com a Professora Doutora Sun Lam, Directora do Instituto Confúcio da Universidade do Minho.

Do seu ponto de vista, Portugal fica bem servido com dois institutos deste género ou há espaço para mais?

Julgo que sim. Por duas razões fundamentais. Primeiro, o da Universidade do Minho está na etapa inicial, enquanto o da Universidade de Lisboa está na fase de instalação. Segundo, têm que passar mais alguns anos para se poder avaliar se existe uma procura que justifique a existência de outros.

Qual é o envolvimento da China neste projecto em concreto?

Para além do envolvimento padrão, formalizado no acordo com a Hanban, a UEET celebrou com a Universidade de Lisboa um acordo especifico algo diferente do que aqueles assinados por outras instituições de ensino superior. Cada Instituto Confúcio tem as suas próprias origens e natureza.

Criou um Conselho Consultivo muito vasto [onde, além dos elementos do ICO de Lisboa, estão o presidente do Centro Científico e Cultural de Macau, a secretária-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, António Vasconcelos Saldanha ou o director do Millennium BCP; Rui Paiva]; corre o risco de ser “demasiado” vasto?

Em parte, a dimensão do Conselho Consultivo é ditada pelo acordo celebrado com a Hanban, que estipula não só a existência deste órgão, como a representação de outras instituições do ensino superior da área metropolitana de Lisboa. Por outro lado, no âmbito da abertura da Universidade de Lisboa à sociedade civil, esforçámo-nos em ter representantes da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa e do Banco Millennium BCP.

Muito empenhado nos estudos sobre Macau

A sua escolha pode ter surpreendido muita gente, que o via mais vocacionado para a pesquisa e menos ligado às questões do ensino do chinês; será correcta esta “dedução”? Surpreendeu-o a si?

Efectivamente estou mais vocacionado para a investigação. Aceitei, contudo, este repto do Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Doutor António Sampaio da Nóvoa, por duas razões fundamentais. Primeira, vou ter uma equipa de apoio que me vai ajudar a traçar as orientações e a executá-las. Segundo, porque encaro que os Estudos da China, em particular, e os Estudos Asiáticos, em geral, como um grande desafio para a universidade portuguesa. Como é de conhecimento geral, estão a emergir e a afirmar-se na cena internacional dois importantes actores asiáticos: a China e a Índia, com os quais Portugal e a União Europeia vão ter que trabalhar neste mundo em crescente globalização e onde as interdependências são cada vez mais acentuadas.

O seu trabalho como investigador fica em segundo plano, nesta altura?

É óbvio que o tempo disponível para a investigação diminuiu. Continuo, todavia, muito empenhado em aprofundar os meus estudos sobre Macau e as relações luso-chinesas contemporâneas, assim como a questão de Timor nas relações luso-australo-indonésias.

O que teremos para breve da obra “sinológica” de Moisés Silva Fernandes?

Bem, no próximo dia 21, quinta-feira, vai ter lugar a cerimónia de lançamento no Palácio das Necessidades, em Lisboa, do meu trabalho “Confluência de Interesses: Macau nas Relações Luso-Chinesas Contemporâneas, 1945-2005”. Este livro reúne 11 trabalhos, alguns já publicados em revistas científicas e em actas académicas e outros inéditos, sobre as várias fases que marcaram indelevelmente os últimos 60 anos das relações luso-chinesas [A entrevista foi realizada, como se percebe, antes. Voltaremos a este livro oportunamente, nas páginas do PONTO FINAL].

CAIXA
Quem é 費茂實 *?

A opinião pública mais interessada contactou pela primeira vez com Moisés Silva Fernandes quando saiu, em 2000, a obra “Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995”, um trabalho profundo e criterioso, que rapidamente se tornou numa referência para todos os que escrevem sobre Macau e a China em Portugal (e não só), e que resultou de uma bolsa da Fundação Oriente – que, aliás, editou o livro.
Entre os seus interesses, como confirma nesta entrevista ao PONTO FINAL, está também Timor, mas tem sido Macau a ocupá-lo mais: há dois anos saiu “Macau na Política Externa Chinesa, 1949-1979” e este mês há mais uma obra a ser lançada, “Confluência de Interesses: Macau nas Relações Luso-Chinesas Contemporâneas, 1945-2005”. Isto para além da participação em inúmeras palestras e conferências.
Moisés Silva Fernandes nasceu em 1961 em Vila Real e licenciou-se em 1988 na Universidade de Manitoba, no Canadá, onde também fez um mestrado em Estudos Políticos. Desde que regressou a Portugal que é investigador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. É membro do Conselho Superior do Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, membro correspondente do Núcleo de Estudos Asiáticos da Universidade de Brasília e desde o final do ano passado director do primeiro ICO em Lisboa.

* Moisés Silva Fernandes, na língua de Confúcio…
Filarmónica de Nova Iorque actua amanhã na Coreia do Norte
A diplomacia da música

Um 747 oriundo de Pequim é suposto aterrar hoje em Pyongyang com os 130 elementos da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, que se apresenta amanhã à noite na capital da "secreta" Coreia do Norte para um concerto. A acompanhar a Orquestra estarão centenas de pessoas, incluindo jornalistas, diplomatas e técnicos. O concerto realiza-se no Grande Teatro, e destina-se a uma audiência composta pela elite do regime comunista. É incerto se Kim Jong-il, o líder, assistirá ao espectáculo.
O acordo celebrado entre Pyongyang e a Filarmónica inclui a transmissão do concerto na televisão estatal local, a mesma que, escrevia ontem o Los Angeles Times, se refere comummente aos americanos como "guerreiros imperialistas".
O convite para o concerto foi feito pelo governo norte-coreano à orquestra no Verão de 2007. O Departamento de Estado norte-americano concordou e até “encorajou” a iniciativa, sem considerá-la, no entanto, oficial. Conforme o Los Angeles Times recordava ontem, Christopher Hill, o representante norte-americano nas conversações a seis sobre a desnuclearização da Coreia do Norte, esteve envolvido no processo, e ficou incumbido de preparar os músicos sobre o que vão encontrar no país. Uma das perguntas que colocou na altura, lembra Hill, foi: "Será que este evento vai prejudicar as negociações?" "Não", decidiu-se.
No entanto, nos Estados Unidos, várias vozes se fizeram, e fazem, ouvir contra o evento.
A questão principal é saber até que ponto a mais importante orquestra de Nova Iorque não estará indirectamente a reconhecer a legitimidade da ditadura de Kim Jong-il.
Richard Allen, assessor de segurança nacional do presidente Ronald Reagan, e o ensaísta Chuck Downs, ambos da Comissão Americana de Direitos Humanos na Coreia do Norte, foram dos que mais se fizeram ouvir durante a polémica.
O regime comunista, disseram no final de Outubro em artigo no “New York Times”, está interpretando a iniciativa da Filarmónica “como um tributo e não como um acto de generosidade”.
Mesmo de modo indirecto, argumentaram, a orquestra entregaria a Kim Jong-il algo que inevitavelmente este usaria como peça de propaganda.
Terry Teachout, especialista em jazz e música erudita e crítico de teatro do “Wall Street Journal”, em texto publicado pouco antes do Natal, qualificou o concerto de Pyongyang como “um show de marionetas cujo objectivo é dar legitimidade a um regime desprezível”.
Por seu turno, o maestro da Filarmónica de Nova Iorque, Lorin Maazel, americano nascido em França e regente com carreira nos EUA e na Europa, saiu em defesa da digressão - para a qual a Filarmónica já viajou no último dia 7, com apresentações em Taiwan, Hong Kong, Xangai, Pequim e as capitais das duas Coreias. “As pessoas que moram em casas de vidro não deveriam atirar pedras”, disse. Maazel defendeu a democracia e disse ter levado mensagens de liberdade ao apresentar-se na União Soviética e na Alemanha Oriental, nos tempos do comunismo.

A música

O programa a ser interpretado amanhã neste concerto histórico consiste naa "New World Symphony, de Anton Dvorak, "An American in Paris, de George Gershwin, e no Prelude to Act III, da peça "Lohengrin", de Richard Wagner.
Para a abertura estão reservadas duas obras: "The Star-Spangled Banner" e o Hino Nacional da Coreia do Norte.
Leong Soi Weng foi jogador exemplo em Hong Kong
Novo treinador da selecção de Macau
vai preparar presença na Challenge Cup

Acabou a era dos treinadores japoneses para a selecção de futebol de Macau. Associação confirma contrato de Leong Soi Weng. A questão da língua terá sido fundamental para a mudança de estratégia. O novo técnico vai já começar a trabalhar para a Taça Challenge da Confederação Asiática, a realizar em Maio

Vítor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net

Será o primeiro teste para o mais recente treinador das selecções do território. Apenas com pouco mais de dois meses e meio de trabalho, Leong Soi Weng irá orientar a selecção principal do território na Challenge Cup, uma prova instituída pela Confederação Asiática de Futebol e destinada às formações de “segundo plano”.
Macau terá como adversários as selecções de Nepal, Cambodja e Paquistão. Será um torneio para dar ritmo competitivo internacional a países ou territórios que habitualmente não conseguem qualificar-se para as mais importantes provas a nível de continente asiático.
Depois disso, a RAEM só em 2009 terá outros compromissos além fronteiras para a sua selecção principal. Os Jogos da Ásia Oriental em Hong Kong e os Jogos da Lusofonia, em Lisboa.
O objectivo, segundo os dirigentes associativos e em particular o presidente Chong Coc Veng, é começar desde já a preparar as próximas competições internacionais e integrar elementos jovens numa equipa que tem já vivido, nos últimos tempos, da maioria dos jogadores da equipa de sub 21 que participa no campeonato da I Divisão.
“Mas há que dar ainda mais ênfase aos escalões inferiores do futebol do território”, disse o novo treinador das selecções, Leong Soi Weng, na apresentação oficial à comunicação social, num encontro que a Associação de Futebol de Macau pretende seja mais frequente, dando assim a conhecer aos jornalistas, os seus projectos a curto e médio prazo.

Escalões mais jovens
passam a prioridade

Chong Coc Veng e seus pares aproveitaram o “almoço de Primavera” com os media, para se colocar à disposição sobre assuntos “quentes” do futebol macaense, como sejam a intenção de “revolucionar a modalidade”, graças à entrada do novo técnico de Hong Kong, e a hipótese forte de concretização de um campeonato profissional.
Leong Soi Weng surge, assim, no “desporto rei” da RAEM, numa altura de grandes transformações. Mas, diz, querer preocupar-se essencialmente, com o desenvolvimento das camadas jovens:
“Penso ser esse o aspecto mais prioritário do futebol de Macau. A estrutura de base é a mais importante e o desenvolvimento dos escalões inferiores trará frutos no futuro. Mas é necessário investir forte. Os nossos objectivos, meus e dos dirigentes associativos, é de recuar na aposta de idades dos jovens, criando equipas a partir sensivelmente dos oito anos”, referiu Soi Weng.

Treinadores locais
chamados a colaborar

Segundo as informações transmitidas no decorrer do contacto com os jornalistas, é intenção da equipa de Chong Coc Veng e Vitor Lap Cheong, os dois homens fortes da Associação de Futebol de Macau, criar estruturas fortes para que os jogadores de mais tenra idade possam progredir.
“Para além de apostarmos na selecção principal, como é lógico, iremos privilegiar com maior incidência, os escalões de jovens atletas, para que no futuro se possa “refrescar” a selecção com novos valores. Para isso, o nosso novo técnico irá supervisionar toda a actividade das selecções, nomeando, a curto prazo, treinadores locais para as respectivas equipas, a partir dos sub 8 até aos seniores”, palavras de Chong Coc Veng.
“Terá de haver um maior entendimento entre as estruturas do futebol em Macau, que parece não existir há vários anos. Os treinadores, têm de ter uma ligação mais estreita com o órgão associativo. Queremos empenhá-los mais e a intenção é distribui-los pelas selecções de categorias jovens”, salientou Leong Soi Weng, que reconhece qualidades nos técnicos da casa, “que muito poderão ajudar ao desenvolvimento que se pretende”.

Há bons valores em Macau,
é preciso condições

O novo treinador de Macau, de 50 anos e uma antiga vedeta do futebol de Hong Kong (jogou durante vários anos no Happy Valley e oito consecutivos na selecção de Hong Kong, na posição de libero), diz não ter dúvidas de que Macau tem bons valores, “mas é necessário dar-lhes condições de trabalho e acima de tudo apostar nas suas capacidades desde uma idade mais recuada.”
Por aquilo que se ouviu dos membros da Associação de Futebol de Macau, esta fase é de transição, ou seja, “chegou a altura de se tentar fazer uma revolução no futebol macaense, sob pena de se perder constantemente o comboio, face a outros países ou regiões, em especial no continente asiático.”
Daí que Chong Coc Veng e seus pares tenha apostado no projecto de contratar um treinador da vizinha região administrativa.
“Hong Kong tem um nível superior ao de Macau e por isso poderemos tirar partido disso, sem um investimento elevado. E um dos aspectos de maior importância é, sem dúvida, o facto deste nosso novo treinador das selecções comunicar de forma muito mais fácil do que tinha acontecido nos últimos anos com os técnicos vindos do Japão. É que a esmagadora maioria dos jogadores fala chinês, o que pode realmente facilitar o trabalho de desenvolvimento.”

Federação Japonesa irritada
com atitude da RAEM

O presidente associativo não se quis alongar muito na questão do “ponto final” aos treinadores japoneses, depois do trabalho aqui feito por Ueda, Imai e Kageyama. No entanto, segundo apurou o PONTO FINAL, um quarto nipónico, Koji, treinador das camadas jovens do Shimizu S-Pulse, só não terá assinado contrato porque “exigiu” a contratação de um intérprete. Koji também não tinha muita fluência no inglês.
Os dirigentes da Associação de Futebol de Futebol não se mostraram disponíveis para aceitar o pedido de Koji e a vinda do japonês acabou por se gorar, não obstante o treinador se ter deslocado a Macau para “sentir o pulso” ao futebol macaense e apreciar as infra-estruturas.
A atitude (rejeição da proposta de Koji), dos membros associativos terá caído mal na Federação Japonesa de Futebol, que durante todos estes últimos anos se tem disponibilizado para resolver os problemas do futebol da RAEM, indicando treinadores com qualidade.
Koji tinha já declinado vários convites no Japão, apostando no projecto de Macau, acabando por ficar “desempregado” depois do insucesso das negociações, que pareciam praticamente definidas.
Com todo este processo, a Federação Japonesa terá mostrado “alguma irritação”, dando a entender que Macau não contaria mais com a boa vontade dos seus membros. Koji foi, entretanto, integrado nos quadros federativos do Japão, ocupando-se de categorias inferiores.

Projecto da Superliga
é mesmo para avançar

É assim uma nova era (forçada?...) do futebol do território, que até pode acabar por dar resultado, naquele pormenor (que não deixa de ser importante) da língua ser acessível a todos os jogadores.
Leong Soi Weng assinou para já um contrato por um ano, mas é intenção de Chong Coc Veeng e seus companheiros de direcção, prorrogar a ligação para ao futuro, depois desta experiência dos próximos meses, que esperam dê frutos.
Recorde-se que esta mudança radical nos projectos de selecção, acontece também numa altura em que a Associação de Futebol de Macau, juntamente com o Instituto de Desporto, pretende introduzir, pela primeira vez, uma Superliga profissional.
Chong Coc Veng disse ao PONTO FINAL que esse é um desejo antigo:
“É um dos nossos sonhos, que pretendemos ver concretizado a curto prazo. O mercado empresarial de Macau está a crescer e penso que o futebol pode disso tirar partido. Há empresas já interessadas em apoiar o nosso projecto, mas vamos à procura de mais, uma vez que queremos iniciar um campeonato profissional com pelo menos seis equipas.”
Pode haver novidades dentro de algumas semanas, uma vez que a AFM aponta para final deste ano ou primeiros meses de 2009, como data para se arrancar com a prova. “Ou pelo menos ter já ideias definidas para se começar o mais rapidamente possível.”
Certo é que o “futebol amador de Macau” irá continuar como até aqui.
Depois de algum descanso dado à relva, as competições vão já reiniciar-se nos dias 1 e 2 de Março, com mais uma eliminatória da Taça. Jogos Kuan Tai-Ip U, Hong Ngai-Lam Pak, Monte Carlo-Vá Luen e Alfândega-Heng Tai, no Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia.
Portugueses fazem estágio pré-olímpico no Oriente
Atletas de modalidades "indoor"
vão estagiar em Macau


A maioria das federações desportivas portuguesas que vão estar representadas nos Jogos Olímpicos Pequim2008 vão realizar estágios pré-olímpicos no Oriente, revelou sábado o chefe da Missão Portuguesa, Manuel Boa de Jesus. A revelação foi feita durante o seminário “A caminho de Pequim - Saúde e adaptação”, que o Comité Olímpico de Portugal (COP) organizou na sua sede com o objectivo de “preparar e elucidar os membros da delegação sobre os diversos parâmetros e condicionalismos” do evento.
Após o judoca Pedro Dias colocar a questão sobre se a adaptação ao fuso horário de Pequim devia começar a ser feita em Portugal, Boa de Jesus disse que, antes de viajar para a capital chinesa, a equipa de judo realizará um estágio no Japão com a duração mínima de uma semana.
O chefe da Missão Portuguesa aos Jogos Pequim2008, que se disputam entre 8 e 24 de Agosto, acrescentou que os atletas de algumas modalidades de pavilhão vão estagiar em Macau durante cerca de duas semanas e disse à Agência Lusa que o COP está a trabalhar ainda noutras localizações.
“Estamos a trabalhar para realizar estágios na Coreia do Sul e, eventualmente, na Rússia”, afirmou, sublinhando, no entanto: “o COP coordena e proporciona informação, mas a decisão é das federações”.
Quanto ao atletismo, que será maioritário na delegação portuguesa, recordou que é uma modalidade muito heterogénea, por ter várias especialidades, e admitiu que está em estudo a hipótese de uns atletas irem directamente para Pequim e outros passarem primeiro pela Coreia do Sul.
“Mas não serei eu a dizer onde é que o Francis Obikwelu vai estagiar”, rematou o também presidente da Federação Portuguesa de Ginástica.
Em resposta à questão de Pedro Dias, o fisiologista José Soares, professor catedrático da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, disse não fazer sentido “acertar” o relógio com o horário chinês quando ainda se está em Portugal, porque o que conta é a exposição à luz solar.
“O que condiciona a produção de melatomina é a exposição à luz solar, por isso não funciona treinar cá à hora de lá. Isso é enganar o relógio, não é acertar o relógio biológico”, afirmou.
Segundo José Soares, como “a exposição solar é uma componente decisiva para acertar o relógio biológico”, é “muito mau para um atleta” sair o hotel, ir de autocarro para o pavilhão e regressar da mesma forma ao alojamento, sem nunca apanhar Sol.
O especialista recordou, no entanto, que o “jet lag” é “muito individualizado e menos intenso nos atletas do que nos não atletas”, afectando as modalidades “de forma diferenciada”, pelo que “a preparação não deve ser global, mas individualizada”.
“Há quem pode ir para Pequim mais tarde e quem tem de ir mais cedo para se adaptar”, referiu, frisando a importância de dormir bem e desaconselhando o recurso a suplementos alimentares, devido ao “risco enormíssimo” de contaminação, e a comprimidos de melatomina, por ser “duvidosa” a relação entre esta substância e o exercício.
Além do “jet lag”, a poluição foi a outra grande preocupação dos participantes do seminário e o médico Pedro Branco, aconselhou a realização de uma triagem a todos os atletas ainda em Portugal, para detectar eventuais casos de alergias que possam resultar em asma do exercício.
O médico da Federação Portuguesa de Atletismo recordou que a triagem permitirá que, se forem detectados casos positivos, os atletas cheguem a Pequim já munidos de autorização para a prescrição de medicamentos para combater a asma do exercício, pois na China não haverá tempo para o fazer.

CAIXA
Ingleses adaptam-se a Pequim em Macau

A Associação Olímpica Britânica, o comité olímpico do país, escolheu Macau como base para a adaptação ao clima da delegação que participará nos Jogos Olímpicos de Pequim2008. Um grupo de aproximadamente 250 integrantes ficará em Macau durante duas ou três semanas antes da abertura dos Jogos, em Agosto.
Entre os 131 atletas previstos no grupo estará a maratonista Paula Radcliffe, a campeã mundial dos 400m Christine Ohuruogu, o boxeur Frankie Gavin e a campeã mundial de ginástica Beth Tweddle. "Os nossos atletas poderão treinar de manhã em Macau, viajar à tarde e chegar a tempo para o chá na Vila Olímpica', afirmou o dirigente da Associação, Bernie Cotton.
Segundo o responsável afirmou na sexta-feira numa conferência de imprensa em Macau, a região foi escolhida pela qualidade das suas instalações desportivas e pela semelhança climática com Pequim.

Edições Anteriores

Arquivo

DIRECTOR Paulo Reis REDACÇÃO Isabel Castro, Rui Cid, João Paulo Meneses (Portugal); COLABORADORES Cristina Lobo; Paulo A. Azevedo; Luciana Leitão; Vítor Rebelo DESIGN Inês de Campos Alves PAGINAÇÃO José Figueiredo; Maria Soares FOTOGRAFIA Carmo Correia; Frank Regourd AGÊNCIA Lusa PUBLICIDADE Karen Leong PROPRIEDADE, ADMINISTRAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO Praia Grande Edições, Lda IMPRESSÃO Tipografia Welfare, Ltd MORADA Alameda Dr Carlos d'Assumpção 263, edf China Civil Plaza, 7º andar I, Macau TELEFONE 28339566/28338583 FAX 28339563 E-MAIL pontofinalmacau@gmail.com