Estudos geológicos da ponte que ligará Macau, Zhuhai e Hong Kong começaram
Financiamento será discutido no final do mês
Financiamento será discutido no final do mês
O estudo geológico para a ponte entre Macau, Hong Kong e Zhuhai começou no passado sábado, desenvolvido pela empresa China Zhongtie Major Bridge Reconnaissance and Design Institute. Este estudo marca o arranque dos trabalhos depois de, na passada semana, ter sido anunciado o entendimento entre as três partes relativamente a um projecto que conta já 20 anos.
No entanto, de acordo com o Guangzhou Daily News, a questão que tem gerado maior controvérsia - o financiamento - só será decidida no final deste mês, durante a oitava reunião entre representantes de Macau, Hong Kong e Zhuhai.
Já existe um pré-acordo, mas ainda há questões em debate. O jornal da província chinesa cita Zhu Yongling, director do gabinete de coordenação do projecto, dizendo que os três lados têm de pagar "proporcionalmente" os benefícios que tirarão da nova ponte, acrescentando também que Hong Kong terá uma larga fatia das benesses e, por isso, terá que arcar com uma fatia maior dos custos. O custo total do projecto deverá rondar os 40 mil milhões de renmimbis. A maior parte do investimento estará, no entanto, garantida por empresas da China Continental, que tentarão atrair outros investidores privados dos três territórios, diz o Guangzhou Daily News.
Segundo um estudo das autoridades do Continente, divulgado este fim-de-semana pela imprensa chinesa de Macau, Macau ficará com dez por cento dos benefícios económicos da ponte, Guangdong terá 26 por cento e os restantes 64 por cento beneficiarão Hong Kong.
Neste âmbito, o South China Morning Post cita Wong Kwok-Kin, representante da RAE vizinha na Assembleia Nacional Popular, dizendo que Hong Kong devia rever os benefícios da ponte proposta antes de acordar a quantia a pagar. "Depois de tantos anos de atraso, a importância da ponte já é mais pequena", admite.
Quando o problema do financiamento estiver resolvido, no final deste mês, espera-se que o processo acelere, segundo o Guangzhou Daily News. Nessa altura. ter-se-á de lidar com outras contingências, nomeadamente o tipo de veículos que poderão passar pela ponte, já que poucos têm matrículas duplas.
O empresário Gordon Wu, o 'inventor' da ponte, disse ao jornal de Hong Kong que Pequim está a considerar a ideia de deixar veículos não licenciados passarem a ponte, se fossem construídos parques de estacionamento para os condutores poderem depois utilizar os transportes licenciados em cada território. A mesma publicação diz que um porta-voz do Transport and Housing Bureau admitiu que os três governos iriam discutir o assunto brevemente.
Outras matérias, como a questão ambiental e a defesa na navegação no Delta do Rio das Pérolas, foi gerida através do design da estrutura que terá a forma de um Y. Com 36 quilómetros, a ponte terá duas ilhas artificiais e um túnel, ligando-as. Assim, o projecto permitirá manter os petroleiros de 300 mil toneladas no Delta, bem como reduzir os impactos da estrutura no habitat dos golfinhos brancos, que ainda se encontram nas águas chinesas.